Enlil, cujas ordens alcançam a distância, cuja palavra é santa,
O senhor cuja decisão é imutável, que decreta para sempre os destinos,
Cujos olhos erguidos percorrem as terras,
Cuja luz levantada prescruta o coração de todas as terras,
Enlil, que está sentado com abandono sobre o altar branco, sobre o altar sublime,
Que consuma os decretos da força, da realeza, da soberania,
Perante o qual se inclinam, temerosos, os deuses da Terra,
Perante o qual se humilham os deuses do Céu (...),
A cidade (Nippur), seu aspecto inspira terror e respeito (...),
O ímpio, o mau, o opressor,
O denunciante,
O arrogante, o violador dos pactos,
Ele não tolera os seus malefícios na cidade,
A grande rede (...)
Ele não deixa os opressores e malfeitores escapar às suas malhas.
Nippur – o santuário onde habita o pai, a "grande montanha",
O altar da abundância, o Ekur que se ergue,
A alta montanha, o nobre lugar,
Seu príncipe, a "grande montanha", pai Enlil,
Estabeleceu a sua morada no altar de Ekur, sublime santuário;
O templo – as suas divinas leis, como o Céu, não podem ser subvertidas,
Os seus puros ritos, como a Terra, não podem ser abalados,
As suas divinas leis são como as divinas leis do abismo, ninguém as pode olhar,
O seu ‘coração’ como um distante santuário, desconhecido como o zénite do Céu...,
As suas palavras são orações,
Os seus propósitos são súplicas,
O seu ritual é precioso,
Nas suas festas jorram a gordura e o leite, são ricas e abundantes,
Os seus armazéns dão felicidade e alegria,
A casa de Enlil é uma montanha de abundância,
O Ekur, a casa de lápis-lazúli, a sublime morada, que inspira medo,
Cujo medo e terror estão próximos do Céu,
Cuja sombra se estende sobre todas as terras,
Cuja majestade atinge o coração do Céu,
Onde os senhores e os príncipes levam os seus presentes sagrados, as suas oferendas,
Vêm dizer as suas orações, as suas súplicas, os seus pedidos.
Enlil, o pastor que contemplais favoravelmente,
A quem chamastes e tornastes eminente na Terra,
Que prostra todas as terras estranhas por onde passa,
Libações apaziguadoras de toda a parte,
Sacrifícios dos pesados produtos,
Foram trazidos; no armazém
Nos altos pátios determinou as suas oferendas;
Enlil, o digno pastor, sempre em movimento,
O rei do principal pastor de tudo o que respira,
Trouxe à existência o seu principado,
Colocou a coroa sagrada na sua cabeça.
No Céu – é o príncipe; na Terra – é o grande,
Os Anunnaki – é o seu exaltado deus;
Quando no seu poder aterrador, ele decreta os destinos,
Nenhum deus se atreve a olhá-lo.
Só ao seu exaltado vizir, o camarista Nusku,
A ordem, a palavra do seu coração,
Deu a conhecer, só a ele informou,
Mandou-o executar todas as ordens que a todos obrigavam,
Confiou-lhe todas as regras sagradas, todas as sagradas leis.
Sem Enlil, a grande montanha,
Nenhuma cidade seria construída, nenhumas instituições fundadas,
Não seriam construídos quaisquer estábulos, nem feito nenhum redil,
Ninguém seria levado à realeza, não nasceria qualquer grande sacerdote,
Nenhum sacerdote-mah, nenhuma grande sacerdotisa seriam escolhidos
pelo carneiro-presságio,
Os trabalhadores não teriam nem chefe nem superintendente,
Os caudais dos rios não teriam transbordado,
O peixe do mar não depositaria os ovos no canavial,
Os pássaros do Céu não construiriam ninhos na vasta Terra,
No Céu as arrastadas nuvens não produziriam a sua humidade,
Plantas e ervas, a glória da planície, não poderiam crescer,
No campo e no prado o rico grão não poderia florir,
As árvores plantadas na floresta da montanha não produziriam o seu fruto (...)
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
Bem-vind@s! Tenho como objetivo disponibilizar e divulgar material erudito relacionado ás civilizações que floresceram na Mesopotâmia. Aqui você irá encontrar as tabuletas de argila em suas traduções literais, tal como foram escritas pelos Mesopotâmios e traduzidas pelos eruditos. O blog terá constantes atualizações e os artigos serão escritos por mim ou por outros autores, mas sempre priorizando os textos inéditos em língua portuguesa.
terça-feira, 31 de maio de 2011
A VINGANÇA DE INANNA
Shukallituda,
Quando deitava água nos regos,
Quando cavava sulcos ao longo dos canteiros,
Tropeçava nas raízes, era arranhado por elas;
Os ventos furiosos, com tudo o que trazem,
Com a poeira das montanhas, fustigavam-lhe o rosto,
No seu rosto e mãos,
Eles sopravam a poeira, e ele já não reconhecia os seus (...)
Ele então levantou o seu olhar para as terras do sul,
Olhou as estrelas do leste,
Levantou os olhos para as terras do norte,
Olhou para as estrelas do oeste,
Contemplou o Céu, onde se inscreviam os auspícios,
Aprendeu os presságios inscritos no Céu,
Neles aprendeu a observar as leis divinas,
Estudou as decisões dos deuses.
No jardim, em cinco para dez lugares inacessíveis,
Em cada um destes lugares plantou uma árvore como sombra protectora,
A sombra protectora da árvore, a árvore sarbatu de muita folhagem
A sombra que ela dá ao alvorecer,
Ao meio-dia e ao crepúsculo nunca desaparece.
Ora, um dia, a minha rainha, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Inanna, a minha rainha, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Depois de ter atravessado Elam e Shubur,
Depois de ter atravessado (...),
A hierodula (Inanna), exausta, aproximou-se do jardim, deixou-se adormecer,
Shukallituda viu-a do extremo do seu jardim,
Possuiu-a, beijou-a,
E regressou ao extremo do seu jardim.
Ao alvorecer, quando o sol se ergueu,
A mulher olhou à sua volta horrorizada.
Inanna olhou à sua volta horrorizada.
Então, a mulher, por causa do seu sexo, que mal fez!
Inanna, por causa do seu sexo, que fez ela!
Encheu de sangue todos os poços do país,
Encheu de sangue todos os bosques e jardins do país,
O escravos (varões) que vinham buscar lenha para o lume só tiveram sangue para beber,
Os escravos (fêmeas) que vinham buscar água só tiveram sangue para levar,
"Eu quero encontrar aquele que me possuiu procurando em todas as terras", disse a deusa.
Mas ela não encontrou aquele que a tinha possuído,
Porque o homem entrou em casa de seu pai,
Shukallituda disse a seu pai:
"Pai, quando deitava água nos regos,
Quando abria sulcos ao longo dos canteiros,
Tropeçava nas raízes, era por elas arranhado;
Os ventos furiosos, com tudo o que eles trazem,
Com a poeira das montanhas, fustigavam-me o rosto,
No meu rosto e mãos,
Eles sopravam a poeira, e eu já não reconhecia os seus (...)
Eu então levantei os meus olhos para as terras do sul,
Olhei as estrelas do leste,
Levantei os meus olhos para as terras do norte,
Olhei para as estrelas do oeste,
Contemplei o Céu, onde se inscrevem os auspícios,
Aprendi os presságios inscritos no Céu,
Neles aprendi a observar as leis divinas,
Estudei as decisões dos deuses.
No jardim, em cinco para dez lugares inacessíveis,
Em cada um deles plantei uma árvore como sombra protectora.
A sombra protectora da árvore – a árvore sarbatu de muita folhagem
A sombra que ela dá ao alvorecer
Ao meio-dia e ao crepúsculo nunca desaparece.
Um dia a minha rainha, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Inanna, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Depois de ter atravessado Elam e Shubur,
Depois de ter atravessado (...),
A hierodula (Inanna), exausta, aproximou-se do jardim, deixou-se dormir;
Eu vi-a do extremo do meu jardim,
Possuí-a, beijei-a,
E voltei para o extremo do meu jardim.
Ao alvorecer, quando o sol se ergueu,
A mulher olhou à sua volta horrorizada,
Inanna olhou à sua volta horrorizada,
Então, a mulher, por causa do seu sexo, que mal fez!
Inanna, por causa do seu sexo, que fez ela!
Encheu de sangue todos os poços do país,
Encheu de sangue todos os bosques e jardins do país,
O escravos (varões) que vinham buscar lenha para o lume só tiveram sangue para beber,
Os escravos (fêmeas) que vinham buscar água só tiveram sangue para levar,
"Hei-de encontrar aquele que me possui", disse ela".
Mas aquele que a possuiu não foi encontrado,
Porque o pai respondeu ao jovem,
O pai respondeu a Shukallituda:
"Filho, conserva-te junto das cidades dos teus irmãos,
Dirige os teus passos para junto dos teus irmãos, o povo da cabeça preta,
A mulher (Inanna) não te encontrará no meio das terras".
Ele (Shukallituda) conservou-se junto das cidades dos seus irmãos,
Dirigiu os seus passos para junto dos seus irmãos, o povo da cabeça preta,
A mulher não o encontrou no meio de todas as terras.
Então a mulher, por causa do seu sexo, que mal fez!
Inanna, por causa do seu sexo, que fez ela! (...)
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
Quando deitava água nos regos,
Quando cavava sulcos ao longo dos canteiros,
Tropeçava nas raízes, era arranhado por elas;
Os ventos furiosos, com tudo o que trazem,
Com a poeira das montanhas, fustigavam-lhe o rosto,
No seu rosto e mãos,
Eles sopravam a poeira, e ele já não reconhecia os seus (...)
Ele então levantou o seu olhar para as terras do sul,
Olhou as estrelas do leste,
Levantou os olhos para as terras do norte,
Olhou para as estrelas do oeste,
Contemplou o Céu, onde se inscreviam os auspícios,
Aprendeu os presságios inscritos no Céu,
Neles aprendeu a observar as leis divinas,
Estudou as decisões dos deuses.
No jardim, em cinco para dez lugares inacessíveis,
Em cada um destes lugares plantou uma árvore como sombra protectora,
A sombra protectora da árvore, a árvore sarbatu de muita folhagem
A sombra que ela dá ao alvorecer,
Ao meio-dia e ao crepúsculo nunca desaparece.
Ora, um dia, a minha rainha, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Inanna, a minha rainha, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Depois de ter atravessado Elam e Shubur,
Depois de ter atravessado (...),
A hierodula (Inanna), exausta, aproximou-se do jardim, deixou-se adormecer,
Shukallituda viu-a do extremo do seu jardim,
Possuiu-a, beijou-a,
E regressou ao extremo do seu jardim.
Ao alvorecer, quando o sol se ergueu,
A mulher olhou à sua volta horrorizada.
Inanna olhou à sua volta horrorizada.
Então, a mulher, por causa do seu sexo, que mal fez!
Inanna, por causa do seu sexo, que fez ela!
Encheu de sangue todos os poços do país,
Encheu de sangue todos os bosques e jardins do país,
O escravos (varões) que vinham buscar lenha para o lume só tiveram sangue para beber,
Os escravos (fêmeas) que vinham buscar água só tiveram sangue para levar,
"Eu quero encontrar aquele que me possuiu procurando em todas as terras", disse a deusa.
Mas ela não encontrou aquele que a tinha possuído,
Porque o homem entrou em casa de seu pai,
Shukallituda disse a seu pai:
"Pai, quando deitava água nos regos,
Quando abria sulcos ao longo dos canteiros,
Tropeçava nas raízes, era por elas arranhado;
Os ventos furiosos, com tudo o que eles trazem,
Com a poeira das montanhas, fustigavam-me o rosto,
No meu rosto e mãos,
Eles sopravam a poeira, e eu já não reconhecia os seus (...)
Eu então levantei os meus olhos para as terras do sul,
Olhei as estrelas do leste,
Levantei os meus olhos para as terras do norte,
Olhei para as estrelas do oeste,
Contemplei o Céu, onde se inscrevem os auspícios,
Aprendi os presságios inscritos no Céu,
Neles aprendi a observar as leis divinas,
Estudei as decisões dos deuses.
No jardim, em cinco para dez lugares inacessíveis,
Em cada um deles plantei uma árvore como sombra protectora.
A sombra protectora da árvore – a árvore sarbatu de muita folhagem
A sombra que ela dá ao alvorecer
Ao meio-dia e ao crepúsculo nunca desaparece.
Um dia a minha rainha, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Inanna, depois de ter atravessado o Céu, atravessado a Terra,
Depois de ter atravessado Elam e Shubur,
Depois de ter atravessado (...),
A hierodula (Inanna), exausta, aproximou-se do jardim, deixou-se dormir;
Eu vi-a do extremo do meu jardim,
Possuí-a, beijei-a,
E voltei para o extremo do meu jardim.
Ao alvorecer, quando o sol se ergueu,
A mulher olhou à sua volta horrorizada,
Inanna olhou à sua volta horrorizada,
Então, a mulher, por causa do seu sexo, que mal fez!
Inanna, por causa do seu sexo, que fez ela!
Encheu de sangue todos os poços do país,
Encheu de sangue todos os bosques e jardins do país,
O escravos (varões) que vinham buscar lenha para o lume só tiveram sangue para beber,
Os escravos (fêmeas) que vinham buscar água só tiveram sangue para levar,
"Hei-de encontrar aquele que me possui", disse ela".
Mas aquele que a possuiu não foi encontrado,
Porque o pai respondeu ao jovem,
O pai respondeu a Shukallituda:
"Filho, conserva-te junto das cidades dos teus irmãos,
Dirige os teus passos para junto dos teus irmãos, o povo da cabeça preta,
A mulher (Inanna) não te encontrará no meio das terras".
Ele (Shukallituda) conservou-se junto das cidades dos seus irmãos,
Dirigiu os seus passos para junto dos seus irmãos, o povo da cabeça preta,
A mulher não o encontrou no meio de todas as terras.
Então a mulher, por causa do seu sexo, que mal fez!
Inanna, por causa do seu sexo, que fez ela! (...)
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
INANNA CORTEJADA
Seu irmão, o herói, o guerreiro Utu,
Diz à pura Inanna
-Ó minha irmã, deixa que o pastor case contigo,
Ó virgem Inanna, porque não queres?
A sua nata é boa, o seu leite é bom,
O pastor, tudo o que a sua mão toca é brilhante,
Ó, Inanna, deixa que o pastor Dumuzi case contigo,
Ó tu, que estás adornada com jóias, porque não queres?
Ele comerá a sua boa nata contigo,
Ó protectora do rei, porque não queres?
Eu não casarei com o pastor,
Com o seu novo traje ele não me vestirá,
A sua fina lã não me cobrirá,
Eu, a virgem, casarei com o lavrador,
O lavrador que faz as plantas desenvolverem-se abundantemente,
O lavrador que faz a semente desenvolver-se abundantemente.
O Pastor:
O lavrador mais do que eu, o lavrador mais do que eu, o lavrador
o que tem ele mais do que eu?
Enkimdu, o homem do dique, valas e arado,
Mais do que eu, o lavrador, que tem ele mais do que eu?
Se ele me desse o seu fato preto,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, a minha ovelha preta,
Se ele me desse o seu fato branco,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, a minha ovelha branca,
Se ele me servisse a sua primeira cerveja,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite amarelo,
Se ele me servisse a sua boa cerveja,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite kisim,
Se ele me servisse a sua apetitosa cerveja,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite.
Se ele me servisse a sua cerveja aguada,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite de planta,
Se ele me desse os seus bons bocados,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite itirda,
Se ele me desse o seu bom pão,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, o meu queijo de mel,
Se ele me desse os seus feijõezinhos,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, os meus queijinhos;
Depois de eu ter comido, de ter bebido,
Ainda lhe deixaria os sobejos da nata,
Ainda lhe deixaria os sobejos do leite;
Mais do que eu, o lavrador, o que tem ele mais do que eu?
Disputa do Pastor e Enkimdu:
Ele alegrava-se, ele alegrava-se no barro da margem do rio,
ele alegrava-se,
Na margem do rio, o pastor na margem do rio alegrava-se,
O pastor, além disso, conduzia os carneiros na margem do rio.
Do pastor andando de um lado para o outro na margem do rio,
Dele, que é um pastor, se aproximou o lavrador,
O lavrador Enkimdu aproximou-se.
Dumuzi (...) do lavrador, o rei dos diques e valas,
Na sua planície, o pastor, na sua planície, inicia uma disputa com ele,
O pastor Dumuzi, na sua planície, inicia uma disputa com ele.
Enkimdu não quer discussões:
Eu, contra ti, pastor, contra ti, pastor, contra ti
o que poderei eu disputar?
Deixa que os teus carneiros comam a erva da margem do rio,
Nas minhas terras cultivadas deixa que os teus carneiros andem,
Nos campos brilhantes de Uruk deixa-os comer a semente,
Deixa que os teus cabritos e cordeiros bebam a água do meu unun (canal).
Dumuzi:
-Quanto a mim, que sou um pastor, no meu casamento,
Lavrador, podes ser considerado como meu amigo,
Lavrador Enkimdu, como meu amigo, lavrador, como meu amigo,
Que sejas considerado como meu amigo.
Enkimdu:
Eu trar-te-ei trigo, trar-te-ei feijões,
Trar-te-ei lentilhas...
Tu, donzela, seja o que for para ti
Donzela Inanna, trar-te-ei (...)
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
Diz à pura Inanna
-Ó minha irmã, deixa que o pastor case contigo,
Ó virgem Inanna, porque não queres?
A sua nata é boa, o seu leite é bom,
O pastor, tudo o que a sua mão toca é brilhante,
Ó, Inanna, deixa que o pastor Dumuzi case contigo,
Ó tu, que estás adornada com jóias, porque não queres?
Ele comerá a sua boa nata contigo,
Ó protectora do rei, porque não queres?
Eu não casarei com o pastor,
Com o seu novo traje ele não me vestirá,
A sua fina lã não me cobrirá,
Eu, a virgem, casarei com o lavrador,
O lavrador que faz as plantas desenvolverem-se abundantemente,
O lavrador que faz a semente desenvolver-se abundantemente.
O Pastor:
O lavrador mais do que eu, o lavrador mais do que eu, o lavrador
o que tem ele mais do que eu?
Enkimdu, o homem do dique, valas e arado,
Mais do que eu, o lavrador, que tem ele mais do que eu?
Se ele me desse o seu fato preto,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, a minha ovelha preta,
Se ele me desse o seu fato branco,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, a minha ovelha branca,
Se ele me servisse a sua primeira cerveja,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite amarelo,
Se ele me servisse a sua boa cerveja,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite kisim,
Se ele me servisse a sua apetitosa cerveja,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite.
Se ele me servisse a sua cerveja aguada,
Servir-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite de planta,
Se ele me desse os seus bons bocados,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, o meu leite itirda,
Se ele me desse o seu bom pão,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, o meu queijo de mel,
Se ele me desse os seus feijõezinhos,
Dar-lhe-ia, ao lavrador, os meus queijinhos;
Depois de eu ter comido, de ter bebido,
Ainda lhe deixaria os sobejos da nata,
Ainda lhe deixaria os sobejos do leite;
Mais do que eu, o lavrador, o que tem ele mais do que eu?
Disputa do Pastor e Enkimdu:
Ele alegrava-se, ele alegrava-se no barro da margem do rio,
ele alegrava-se,
Na margem do rio, o pastor na margem do rio alegrava-se,
O pastor, além disso, conduzia os carneiros na margem do rio.
Do pastor andando de um lado para o outro na margem do rio,
Dele, que é um pastor, se aproximou o lavrador,
O lavrador Enkimdu aproximou-se.
Dumuzi (...) do lavrador, o rei dos diques e valas,
Na sua planície, o pastor, na sua planície, inicia uma disputa com ele,
O pastor Dumuzi, na sua planície, inicia uma disputa com ele.
Enkimdu não quer discussões:
Eu, contra ti, pastor, contra ti, pastor, contra ti
o que poderei eu disputar?
Deixa que os teus carneiros comam a erva da margem do rio,
Nas minhas terras cultivadas deixa que os teus carneiros andem,
Nos campos brilhantes de Uruk deixa-os comer a semente,
Deixa que os teus cabritos e cordeiros bebam a água do meu unun (canal).
Dumuzi:
-Quanto a mim, que sou um pastor, no meu casamento,
Lavrador, podes ser considerado como meu amigo,
Lavrador Enkimdu, como meu amigo, lavrador, como meu amigo,
Que sejas considerado como meu amigo.
Enkimdu:
Eu trar-te-ei trigo, trar-te-ei feijões,
Trar-te-ei lentilhas...
Tu, donzela, seja o que for para ti
Donzela Inanna, trar-te-ei (...)
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
O ENCANTO DE ENKI ( A CONFUSÃO DAS LÍNGUAS)
"Era uma vez, não havia cobras, não havia escorpiões
Não havia hienas, não havia leões,
Não havia cães selvagens, não havia lobos,
Não havia medo nem terror,
O homem não tinha rival.
Era uma vez as terras Shubur e Hamazi,
A Suméria de língua harmoniosa, a grande terra das divinas leis dos principados,
Uri, a grande terra que tem tudo o que é próprio,
A terra Martu, que descansa em segurança,
O universo inteiro, o povo em uníssono,
A Enlil numa língua fizeram preces.
Mas então o senhor-pai, o príncipe-pai, o rei-pai,
Enki, o senhor da abundância, cujas ordens eram confiantes
Senhor da Sabedoria que vigia a terra,
Senhor dos deuses,
Senhor de Eridu, dotado de sabedoria
Nas suas bocas trocou as palavras, instalou a discórdia,
Na fala do homem que havia sido única.
O texto O Encanto de Enki faz parte do conto épico mais vasto – Enmerkar e o senhor de Aratta.
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
Não havia hienas, não havia leões,
Não havia cães selvagens, não havia lobos,
Não havia medo nem terror,
O homem não tinha rival.
Era uma vez as terras Shubur e Hamazi,
A Suméria de língua harmoniosa, a grande terra das divinas leis dos principados,
Uri, a grande terra que tem tudo o que é próprio,
A terra Martu, que descansa em segurança,
O universo inteiro, o povo em uníssono,
A Enlil numa língua fizeram preces.
Mas então o senhor-pai, o príncipe-pai, o rei-pai,
Enki, o senhor da abundância, cujas ordens eram confiantes
Senhor da Sabedoria que vigia a terra,
Senhor dos deuses,
Senhor de Eridu, dotado de sabedoria
Nas suas bocas trocou as palavras, instalou a discórdia,
Na fala do homem que havia sido única.
O texto O Encanto de Enki faz parte do conto épico mais vasto – Enmerkar e o senhor de Aratta.
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
A DESCIDA DE INANNA AO INFERNO
Do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
A deusa, do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
Inanna, do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
A minha senhora abandonou o Céu, abandonou a Terra,
Ao mundo inferior ela desceu,
Inanna abandonou o Céu, abandonou a Terra,
Ao mundo inferior ela desceu,
Abandonou o poder de rei, abandonou o poder de rainha,
Ao mundo inferior ela desceu.
As sete leis divinas, ela as uniu a um lado,
Juntou todas as leis divinas, tomou-as na mão,
Todas as leis, ela pô-las aos seus pés, que esperavam,
A shugurra, a coroa da planície, ela colocou-a sobre a cabeça,
Anéis de cabelo ela ajustou na testa,
A vara e a linha de medir de lápis-lazúli, ela as apertou na mão,
Pequenas pedras de lápis-lazúli ela cingiu ao pescoço,
Duas pedras nunuz gémeas ela atou ao peito,
Um anel de ouro apertou na mão,
O peitoral "Vem, homem, vem" atou ao peito,
Com o vestido pala de rainha cobriu seu corpo,
Com o unguento "Que ele venha", que ele venha" ungiu os seus olhos.
Inanna caminhou para o mundo inferior,
O seu vizir Ninshubur seguia a seu lado,
A pura Inanna diz para Ninshubur:
"Ó tu que és o meu apoio constante,
Meu vizir das palavras favoráveis,
Meu cavaleiro das palavras verdadeiras,
Estou descendo ao mundo inferior.
Quando eu tiver chegado ao mundo inferior,
Solta lamentações por mim, como nas ruínas,
Na sala de reunião dos deuses toca o tambor por mim,
Na casa dos deuses procura-me,
Abaixa os teus olhos por mim, abaixa a tua boca por mim,
Como um pedinte, um traje pobre veste por mim,
Para o Ekur, a casa de Enlil, sozinho dirige os teus passos.
Ao entrares no Ekur, a casa de Enlil,
Chora perante Enlil:
"Ó pai Enlil, que a tua filha não seja ferida de morte no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja entalhada dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja condenada à morte no mundo inferior".
Se Enlil se não puser do teu lado, segue para Ur.
Em Ur, ao entrares em casa, da terra,
O Ekishnugal, a casa de Nanna,
Chora perante Nanna:
"Ó pai Nanna, que a tua filha não (...) – repetição da estrofe anteriorrelativa "
Se Nanna não se puser do teu lado, segue para Eridu.
Em Eridu, ao entrares em casa de Enki,
Chora perante Enki:
"Ó pai Enki, que a tua filha não (...) – repetição da estrofe anterior relativa "
O pai Enki, senhor da sabedoria,
Que conhece o "alimento da vida", que conhece a "água da vida",
Certamente te trará à vida.
Inanna desceu ao mundo inferior,
Ao seu mensageiro Ninshubur ela diz:
"Vai, Ninshubur,
Não esqueças as ordens que te dei".
Quando Inanna chegou ao palácio, à montanha de lápis-lazúli,
À porta do mundo inferior, ela agiu temerariamente,
No palácio do mundo inferior ela falou temerariamente:
"Abre a casa, Neti, abre a casa, eu, sozinha, quero entrar".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Responde à pura Inanna:
"Diz-me, por favor, quem és!"
"Eu sou a rainha do Céu, o sítio onde nasce o Sol".
"Se é a rainha do Céu, o sítio onde nasce o Sol,
Diz-me porque vieste à terra donde não se volta!
À estrada cujo viajante não mais volta, porque te conduziu o teu coração?"
A pura Inanna responde-lhe:
"A minha irmã mais velha, Ereshkigal,
Por causa do seu marido, o senhor Gugalanna, que foi assassinado,
Para assistir aos ritos funerários,
(...), assim seja".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Entra em casa da sua rainha Ereshkigal e diz-lhe:
"Ó minha rainha, é uma donzela que, como um deus (...)
Às sete leis divinas (...) – repetição da terceira estrofe completa –
(...)
Então Ereshkigal mordeu a sua coxa, estava cheia de ira,
E disse a Neti, o seu porteiro principal:
"Vem, Neti, porteiro principal do mundo inferior,
A ordem que eu te der, não a esqueças.
Levanta os ferrolhos das sete portas do mundo inferior,
Do seu único palácio, Ganzir, o "rosto" do mundo inferior, abre as portas.
Quando ela entrar,
Subjuga-a e que seja trazida nua à minha presença".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Escutou as palavras da sua rainha.
Levantou os ferrolhos das sete portas do mundo inferior,
Do seu único palácio, Ganzir, o "rosto" do mundo inferior, ele abriu as portas.
"Vem, Inanna, entra".
Quando ela entrou,
A shugurra, a "coroa da planície", da sua cabeça foi retirada,
"Por favor, que é isto?"
"Cala-te, Inanna, as leis do mundo inferior são perfeitas,
Ó Inanna, não desprezes os ritos do mundo inferior".
Quando ela entrou na segunda porta,
A vara e o fio de medir de lápis-lazúli foram-lhe retirados.
"Por favor, que é isto?"
"Cala-te, Inanna, as leis do mundo inferior são perfeitas,
Ó Inanna, não desprezes os ritos do mundo inferior".
Quando ela entrou na terceira porta,
As pequenas pedras de lápis-lazúli foram retiradas do seu pescoço.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na quarta porta,
As pedras gémeas de nunuz foram retiradas do seu peito.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na quinta porta,
O anel de ouro foi retirado da sua mão.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na sexta porta,
O peitoral "Vem, homem, vem" foi retirado do seu peito.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na sétima porta,
O vestuário pala da realeza foi retirado do seu corpo.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Subjugada, foi trazida nua perante ela.
A pura Ereshkigal sentou-se no seu trono,
Os Anunnaki, os sete juízes, pronunciaram perante ela o seu julgamento,
Ela fixou o seu olhar sobre Inanna, o olhar da morte,
Disse contra ela a palavra, ä palavra da ira,
Pronunciou contra ela o grito, o grito da culpa,
A mulher doente tornou-se um cadáver,
O cadáver ficou pendurado num gancho.
Depois de terem passado três dias e três noites,
O seu vizir Ninshubur,
O seu vizir das palavras favoráveis,
O seu cavaleiro das palavras verdadeiras,
Soltou uma lamentação por ela, como (se faz) nas ruínas,
Tocou por ela o tambor na sala de reunião dos deuses,
Perguntou por ela na casa dos deuses,
Baixou por ela os olhos, baixou por ela a boca(...),
Como um pedinte, vestiu por ela um traje pobre,
Ao Ekur, a casa de Enlil, sozinho, dirigiu os seus passos.
Ao entrar no Ekur, a casa de Enlil,
Perante Enlil ele chora:
"Ó pai Enlil, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
Como o pai Enlil não se pôs a seu lado, dirigiu-se a Ur.
Em Ur, ao entrar na casa da Terra,
O Ekishnugal, a casa de Nanna,
Perante Nanna ele chora:
"Ó pai Nanna, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
Como o pai Nanna não se pôs a seu lado, partiu para Eridu.
Em Eridu, ao entrar na casa de Enki,
Perante Enki ele chora:
"Ó pai Enki, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
O pai Enki responde a Ninshubur:
"O que aconteceu então a minha filha? Estou inquieto.
O que aconteceu então a Inanna? Estou inquieto.
O que aconteceu então à rainha de todas as terras? Estou inquieto.
O que aconteceu então à hierodula do Céu? Estou inquieto".
Ele tirou sujidade da sua unha e moldou o kurgarru
Ele tirou sujidade da sua unha pintada de vermelho e moldou o kalaturru
Ao kurgarru deu o "alimento da vida",
Ao kalaturru deu a "água da vida",
O pai Enki disse para kalaturru e kurgarru (...)
Eles – os deuses do mundo inferior - oferecer-vos-ão a água do rio, não a aceitem,
Oferecer-vos-ão o grão do campo, não o aceitem,
"Dá-nos o corpo pendurado do gancho", digam a ela, a Ereshkigal,
Um de vós derrame sobre ela o "alimento da vida", o outro a "água da vida",
Então Inanna erguer-se-á".
- O kurgarru e o kalaturru cumprem as ordens –
Eles oferecem-lhes a água do rio, eles não a aceitam,
Eles oferecem-lhes o grão do campo, eles não o aceitam,
"Dá-nos o corpo pendurado do gancho", dizem a ela.
A pura Ereshkigal responde ao kalaturru e ao kurgarru:
"O corpo é o da vossa rainha".
"Apesar de o corpo ser o da nossa rainha, dá-no-lo", disseram-lhe.
Eles dão-lhes o corpo pendurado do gancho,
Um derramou sobre ela o "alimento da vida", o outro a "água da vida".
Inanna ergueu-se.
Inanna está quase a ascender do mundo inferior,
Os Anunnaki agarram-na dizendo:
"Aquele que tenha descido ao mundo inferior jamais subirá ileso do mundo inferior!
Se Inanna ascender do mundo inferior,
Que dê alguém em sua substituição".
Inanna ascende do mundo inferior,
Os pequenos demónios como canas shukur,
Os grandes demónios como canas dubban,
Puseram-se ao lado dela.
O que estava na sua frente, apesar de não ser um vizir, segurava na mão um ceptro,
O que estava a seu lado, apesar de não ser um cavaleiro, tinha uma arma cingida à cintura.
Os que a acompanhavam,
Os que acompanhavam Inanna,
Eram seres que não conheciam alimento, que não conheciam a água,
Não comiam farinha espalhada,
Não bebiam água derramada,
Roubavam a mulher do regaço do homem,
Roubavam a criança do seio da ama.
Dumuzi vestiu um traje nobre, sentou-se no seu assento,
Os demónios agarraram-no pelas coxas...
Os sete demónios largaram-se sobre ele como se se dirigissem a um doente,
Os pastores não tocaram a flauta e a gaita perante ele.
Ela – Inanna – fixou o olhar sobre ele, o olhar da morte,
Pronunciou contra ele a palavra, a palavra da ira,
Soltou contra ele o grito, o grito da culpa:
"Quanto a ele, levem-no".
A pura Inanna entregou-lhes o pastor Dumuzi.
Os que o acompanhavam,
Os que acompanhavam Dumuzi,
Eram seres que não conheciam o alimento, que não conheciam a água,
Não comiam farinha espalhada,
Não bebiam água derramada,
Não se acolhiam com prazer no regaço da mulher,
Não beijavam crianças bem alimentadas,
Arrancavam o filho do homem de seus joelhos,
Levavam a enteada de casa do padrasto.
Dumuzi chorou, seu rosto tornou-se verde,
Para o Céu, para Utu – deus do Sol – ergueu a mão:
"Ó Utu, tu és o irmão de minha mulher, eu sou o marido de tua irmã,
Eu sou aquele que traz a nata a casa de tua mãe,
Eu sou aquele que traz o leite a casa de Ningal,
Transforma a minha mão na mão duma cobra (de um dragão),
Transforma o meu pé no pé de uma cobra (de um dragão),
Que eu escape aos meus demónios, que eles não me apanhem".
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
A deusa, do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
Inanna, do "Grande Superior" ela dirigiu o seu pensamento ao "Grande Inferior"
A minha senhora abandonou o Céu, abandonou a Terra,
Ao mundo inferior ela desceu,
Inanna abandonou o Céu, abandonou a Terra,
Ao mundo inferior ela desceu,
Abandonou o poder de rei, abandonou o poder de rainha,
Ao mundo inferior ela desceu.
As sete leis divinas, ela as uniu a um lado,
Juntou todas as leis divinas, tomou-as na mão,
Todas as leis, ela pô-las aos seus pés, que esperavam,
A shugurra, a coroa da planície, ela colocou-a sobre a cabeça,
Anéis de cabelo ela ajustou na testa,
A vara e a linha de medir de lápis-lazúli, ela as apertou na mão,
Pequenas pedras de lápis-lazúli ela cingiu ao pescoço,
Duas pedras nunuz gémeas ela atou ao peito,
Um anel de ouro apertou na mão,
O peitoral "Vem, homem, vem" atou ao peito,
Com o vestido pala de rainha cobriu seu corpo,
Com o unguento "Que ele venha", que ele venha" ungiu os seus olhos.
Inanna caminhou para o mundo inferior,
O seu vizir Ninshubur seguia a seu lado,
A pura Inanna diz para Ninshubur:
"Ó tu que és o meu apoio constante,
Meu vizir das palavras favoráveis,
Meu cavaleiro das palavras verdadeiras,
Estou descendo ao mundo inferior.
Quando eu tiver chegado ao mundo inferior,
Solta lamentações por mim, como nas ruínas,
Na sala de reunião dos deuses toca o tambor por mim,
Na casa dos deuses procura-me,
Abaixa os teus olhos por mim, abaixa a tua boca por mim,
Como um pedinte, um traje pobre veste por mim,
Para o Ekur, a casa de Enlil, sozinho dirige os teus passos.
Ao entrares no Ekur, a casa de Enlil,
Chora perante Enlil:
"Ó pai Enlil, que a tua filha não seja ferida de morte no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja entalhada dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja condenada à morte no mundo inferior".
Se Enlil se não puser do teu lado, segue para Ur.
Em Ur, ao entrares em casa, da terra,
O Ekishnugal, a casa de Nanna,
Chora perante Nanna:
"Ó pai Nanna, que a tua filha não (...) – repetição da estrofe anteriorrelativa "
Se Nanna não se puser do teu lado, segue para Eridu.
Em Eridu, ao entrares em casa de Enki,
Chora perante Enki:
"Ó pai Enki, que a tua filha não (...) – repetição da estrofe anterior relativa "
O pai Enki, senhor da sabedoria,
Que conhece o "alimento da vida", que conhece a "água da vida",
Certamente te trará à vida.
Inanna desceu ao mundo inferior,
Ao seu mensageiro Ninshubur ela diz:
"Vai, Ninshubur,
Não esqueças as ordens que te dei".
Quando Inanna chegou ao palácio, à montanha de lápis-lazúli,
À porta do mundo inferior, ela agiu temerariamente,
No palácio do mundo inferior ela falou temerariamente:
"Abre a casa, Neti, abre a casa, eu, sozinha, quero entrar".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Responde à pura Inanna:
"Diz-me, por favor, quem és!"
"Eu sou a rainha do Céu, o sítio onde nasce o Sol".
"Se é a rainha do Céu, o sítio onde nasce o Sol,
Diz-me porque vieste à terra donde não se volta!
À estrada cujo viajante não mais volta, porque te conduziu o teu coração?"
A pura Inanna responde-lhe:
"A minha irmã mais velha, Ereshkigal,
Por causa do seu marido, o senhor Gugalanna, que foi assassinado,
Para assistir aos ritos funerários,
(...), assim seja".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Entra em casa da sua rainha Ereshkigal e diz-lhe:
"Ó minha rainha, é uma donzela que, como um deus (...)
Às sete leis divinas (...) – repetição da terceira estrofe completa –
(...)
Então Ereshkigal mordeu a sua coxa, estava cheia de ira,
E disse a Neti, o seu porteiro principal:
"Vem, Neti, porteiro principal do mundo inferior,
A ordem que eu te der, não a esqueças.
Levanta os ferrolhos das sete portas do mundo inferior,
Do seu único palácio, Ganzir, o "rosto" do mundo inferior, abre as portas.
Quando ela entrar,
Subjuga-a e que seja trazida nua à minha presença".
Neti, o porteiro principal do mundo inferior,
Escutou as palavras da sua rainha.
Levantou os ferrolhos das sete portas do mundo inferior,
Do seu único palácio, Ganzir, o "rosto" do mundo inferior, ele abriu as portas.
"Vem, Inanna, entra".
Quando ela entrou,
A shugurra, a "coroa da planície", da sua cabeça foi retirada,
"Por favor, que é isto?"
"Cala-te, Inanna, as leis do mundo inferior são perfeitas,
Ó Inanna, não desprezes os ritos do mundo inferior".
Quando ela entrou na segunda porta,
A vara e o fio de medir de lápis-lazúli foram-lhe retirados.
"Por favor, que é isto?"
"Cala-te, Inanna, as leis do mundo inferior são perfeitas,
Ó Inanna, não desprezes os ritos do mundo inferior".
Quando ela entrou na terceira porta,
As pequenas pedras de lápis-lazúli foram retiradas do seu pescoço.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na quarta porta,
As pedras gémeas de nunuz foram retiradas do seu peito.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na quinta porta,
O anel de ouro foi retirado da sua mão.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na sexta porta,
O peitoral "Vem, homem, vem" foi retirado do seu peito.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Quando ela entrou na sétima porta,
O vestuário pala da realeza foi retirado do seu corpo.
(repetição idêntica às estrofes anteriores)
Subjugada, foi trazida nua perante ela.
A pura Ereshkigal sentou-se no seu trono,
Os Anunnaki, os sete juízes, pronunciaram perante ela o seu julgamento,
Ela fixou o seu olhar sobre Inanna, o olhar da morte,
Disse contra ela a palavra, ä palavra da ira,
Pronunciou contra ela o grito, o grito da culpa,
A mulher doente tornou-se um cadáver,
O cadáver ficou pendurado num gancho.
Depois de terem passado três dias e três noites,
O seu vizir Ninshubur,
O seu vizir das palavras favoráveis,
O seu cavaleiro das palavras verdadeiras,
Soltou uma lamentação por ela, como (se faz) nas ruínas,
Tocou por ela o tambor na sala de reunião dos deuses,
Perguntou por ela na casa dos deuses,
Baixou por ela os olhos, baixou por ela a boca(...),
Como um pedinte, vestiu por ela um traje pobre,
Ao Ekur, a casa de Enlil, sozinho, dirigiu os seus passos.
Ao entrar no Ekur, a casa de Enlil,
Perante Enlil ele chora:
"Ó pai Enlil, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
Como o pai Enlil não se pôs a seu lado, dirigiu-se a Ur.
Em Ur, ao entrar na casa da Terra,
O Ekishnugal, a casa de Nanna,
Perante Nanna ele chora:
"Ó pai Nanna, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
Como o pai Nanna não se pôs a seu lado, partiu para Eridu.
Em Eridu, ao entrar na casa de Enki,
Perante Enki ele chora:
"Ó pai Enki, que a tua filha não seja morta no mundo inferior,
Que o tem bom metal não se cubra da poeira do mundo inferior,
Que o teu bom lápis-lazúli não seja quebrado dentro da pedra do canteiro,
Que a caixa de madeira não seja destruída dentro da madeira do lenhador,
Que a donzela Inanna não seja morta no mundo inferior".
O pai Enki responde a Ninshubur:
"O que aconteceu então a minha filha? Estou inquieto.
O que aconteceu então a Inanna? Estou inquieto.
O que aconteceu então à rainha de todas as terras? Estou inquieto.
O que aconteceu então à hierodula do Céu? Estou inquieto".
Ele tirou sujidade da sua unha e moldou o kurgarru
Ele tirou sujidade da sua unha pintada de vermelho e moldou o kalaturru
Ao kurgarru deu o "alimento da vida",
Ao kalaturru deu a "água da vida",
O pai Enki disse para kalaturru e kurgarru (...)
Eles – os deuses do mundo inferior - oferecer-vos-ão a água do rio, não a aceitem,
Oferecer-vos-ão o grão do campo, não o aceitem,
"Dá-nos o corpo pendurado do gancho", digam a ela, a Ereshkigal,
Um de vós derrame sobre ela o "alimento da vida", o outro a "água da vida",
Então Inanna erguer-se-á".
- O kurgarru e o kalaturru cumprem as ordens –
Eles oferecem-lhes a água do rio, eles não a aceitam,
Eles oferecem-lhes o grão do campo, eles não o aceitam,
"Dá-nos o corpo pendurado do gancho", dizem a ela.
A pura Ereshkigal responde ao kalaturru e ao kurgarru:
"O corpo é o da vossa rainha".
"Apesar de o corpo ser o da nossa rainha, dá-no-lo", disseram-lhe.
Eles dão-lhes o corpo pendurado do gancho,
Um derramou sobre ela o "alimento da vida", o outro a "água da vida".
Inanna ergueu-se.
Inanna está quase a ascender do mundo inferior,
Os Anunnaki agarram-na dizendo:
"Aquele que tenha descido ao mundo inferior jamais subirá ileso do mundo inferior!
Se Inanna ascender do mundo inferior,
Que dê alguém em sua substituição".
Inanna ascende do mundo inferior,
Os pequenos demónios como canas shukur,
Os grandes demónios como canas dubban,
Puseram-se ao lado dela.
O que estava na sua frente, apesar de não ser um vizir, segurava na mão um ceptro,
O que estava a seu lado, apesar de não ser um cavaleiro, tinha uma arma cingida à cintura.
Os que a acompanhavam,
Os que acompanhavam Inanna,
Eram seres que não conheciam alimento, que não conheciam a água,
Não comiam farinha espalhada,
Não bebiam água derramada,
Roubavam a mulher do regaço do homem,
Roubavam a criança do seio da ama.
Dumuzi vestiu um traje nobre, sentou-se no seu assento,
Os demónios agarraram-no pelas coxas...
Os sete demónios largaram-se sobre ele como se se dirigissem a um doente,
Os pastores não tocaram a flauta e a gaita perante ele.
Ela – Inanna – fixou o olhar sobre ele, o olhar da morte,
Pronunciou contra ele a palavra, a palavra da ira,
Soltou contra ele o grito, o grito da culpa:
"Quanto a ele, levem-no".
A pura Inanna entregou-lhes o pastor Dumuzi.
Os que o acompanhavam,
Os que acompanhavam Dumuzi,
Eram seres que não conheciam o alimento, que não conheciam a água,
Não comiam farinha espalhada,
Não bebiam água derramada,
Não se acolhiam com prazer no regaço da mulher,
Não beijavam crianças bem alimentadas,
Arrancavam o filho do homem de seus joelhos,
Levavam a enteada de casa do padrasto.
Dumuzi chorou, seu rosto tornou-se verde,
Para o Céu, para Utu – deus do Sol – ergueu a mão:
"Ó Utu, tu és o irmão de minha mulher, eu sou o marido de tua irmã,
Eu sou aquele que traz a nata a casa de tua mãe,
Eu sou aquele que traz o leite a casa de Ningal,
Transforma a minha mão na mão duma cobra (de um dragão),
Transforma o meu pé no pé de uma cobra (de um dragão),
Que eu escape aos meus demónios, que eles não me apanhem".
FONTE: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
GILGAMESH E A TERRA DOS VIVOS
O senhor para a Terra dos Vivos dirigiu o seu pensamento,
O senhor Gilgamesg para a Terra dos Vivos dirigiu o seu pensamento,
Ele diz ao seu servidor Enkidu:
"Ó Enkidu, o tijolo e o selo ainda não deram origem ao fim fatal,
Eu entraria na "terra", eu elevaria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes foram elevados eu elevaria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes ainda não foram elevados eu elevaria os nomes dos deuses".
O seu servidor Enkidu respondeu-lhe:
"Ó meu senhor, se tu queres entrar na "terra", informa Utu,
Informa Utu, o herói Utu –
A "terra" está a cargo de Utu,
A terra dos cedros abatidos está a cargo do herói Utu – informa Utu".
Gilgamesh poisou as suas mãos sobre um cabrito todo branco,
Um cabrito castanho, uma oferenda, ele apertou contra o peito,
Na sua mão colocou o bastão de prata (...)
Diz a Utu do Céu:
"Ó Utu, eu quereria entrar na "terra", sê meu aliado,
Eu quereria entrar na terra do cedro abatido, sê meu aliado".
Utu do Céu respondeu-lhe:
"É verdade que tu é (...), mas o que és tu para a "terra"?"
"Ó Utu, eu quereria dizer-te uma palavra, para a minha palavra o teu ouvido,
Eu fá-la-ia chegar a ti, dá-lhe ouvidos.
Na minha cidade morre-se, oprimido está o coração,
O homem perece, pesado está o coração.
Eu espreitei sobre o muro,
Vi os cadáveres... flutuando no rio;
Quanto a mim, eu terei o mesmo destino; verdadeiramente assim será.
O homem, por mais alto, não pode chegar ao Céu,
O homem, por mais largo, não pode cobrir a Terra.
O tijolo e o selo não decretaram ainda o fim fatal
Eu quereria entrar na "terra", fixaria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes foram erguidos eu ergueria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes não foram erguidos ergueria o nome dos deuses".
Utu aceitou as suas lágrimas como oferenda,
Como um homem de misericórdia, mostrou-lhe misericórdia,
Os sete heróis, os filhos de uma mãe, (...)
Ele trouxe para dentro das cavernas da montanha.
Quem abateu o cedro agiu alegremente,
O senhor Gilgamesh agiu alegremente,
Na sua cidade, como um homem, ele
Como dois companheiros, ele
"Quem tem casa, para sua casa! Quem tem mãe, para a sua mãe!
Que os homens solteiros que fariam como eu, cinquenta, permaneçam a meu lado".
À casa dos forjadores ele se dirigiu,
O machado, o seu "poder de heroísmo" ele ali mandou fundir.
Ao jardim da planície se dirigiu,
A árvore, o salgueiro, a macieira, o buxo, a árvore ali derrubou.
Os "filhos" da sua cidade que o acompanhavam colocaram-nos nas suas mãos.
Após passarem as montanhas, Gilgamesh adormeceu. Enkidu tenta despertá-lo.
Toca-lhe, ele não se ergue,
Fala-lhe, ele não responde.
"Tu que estás deitado, tu que estás deitado,
Ó Gilgamesh,, senhor, filho de Kullab, por quanto tempo permanecerás deitado?
A "terra" escureceu, as sombras derramaram-se sobre ela,
O crepúsculo fez brotar a sua luz,
Utu foi de cabeça erguida para o seio de sua mãe, Ningal,
Ó Gilgamesh, por quanto tempo permanecerás deitado?
Não deixes que os filhos da tua cidade que te acompanham
Permaneçam esperando por ti ao pé da montanha,
Não permitas que a tua mãe que te deu o ser seja conduzida à "praça" da cidade".
Ele consentiu,
Com a sua "palavra de heroísmo" cobriu-se como um vestuário,
O seu vestuário de trinta siclos que levava na mão cruzou sobre o peito,
Como um touro, fixou-se na "grande terra",
Encostou a boca ao solo, os seus dentes abanaram.
"Pela vida de Ninsun, minha mãe que me deu o ser, e do puro Lugalbanda, meu pai, Possa eu tornar-me como alguém que se senta, para ser admirado, nos joelhos de Ninsun, a mãe que me deu o ser":
Uma segunda vez ele lhe diz:
"Pela vida de Ninsun, minha mãe que me deu o ser, e do puro Lugalbanda, meu pai, Até que eu tenha morto esse ‘homem’, se ele for um homem, até que o tenha morto, se ele for um deus,
Os meus passos dirigidos para o ‘campo’, não os dirigirei para a cidade".
O atento servidor suplicou, (...) ou a vida,
Ele respondeu ao senhor:
"Ó meu senhor, tu, que nunca viste este ‘homem’, não estás aterrorizado,
Eu, que vi este ‘homem’, estou aterrorizado.
O guerreiro, os seus dentes são os dentes de um dragão,
O seu rosto, é o rosto de um leão,
O seu (...) é o curso de água torrencial,
Da sua fronte, que devora árvores e juncos, nada escapa.
Ó meu senhor, parte para o ‘campo’, eu partirei para a cidade,
Direi a tua mãe da tua glória, que ela te louve,
Dir-lhe-ei da tua morte próxima, que ela verta lágrimas amargas.
Por mim um outro não morrerá, o barco carregado não se afundará,
O fato de três pregas não será cortado,
O (...) não será submergido,
O fogo não destruirá a casa e a cabana.
Ajudai-me e ajudar-te-ei, o que pode acontecer-nos?
Vem, vamos para a frente, fixá-lo-emos com os nossos olhos,
Se avançarmos,
E se houver medo, se houver medo, fá-lo arrepiar caminho,
Se houver terror, se houver terror, fá-lo arrepiar caminho,
No teu (...), vem, vamos para a frente".
Quando ainda não tinha chegado a uma distância de 1200 pés,
Huwawa, a sua casa de cedro,
Fixou o seu olhar sobre ele, o olhar da morte,
Inclinou a cabeça sobre ele, agitou a cabeça para ele,
Ele próprio Gilgamesh arrancou a primeira árvore,
Os ‘filhos’ da sua cidade que o acompanhavam
Cortaram-lhe a rama, apanharam-na,
Puseram-na no sopé da montanha.
Depois ele próprio, tendo arrancado a sétima, aproximou-se do seu quarto,
Dirigiu-se para a ‘cobra do cais do vinho’ na sua parede,
Como alguém depondo um beijo, ele esbofeteou-lhe a face.
Huwawa, o seu dente abanou, a sua mão tremeu,
"Eu gostaria de te dizer uma palavra,
(Ó Utu), não conheço a mãe que me deu o ser, não conheço o pai que me criou,
Na ‘terra’ deste-me o ser, criaste-me".
Ele esconjurou Gilgamesh pela vida do Céu, pela vida da Terra, pela vida do mundo inferior,
Tomou-o pela mão (...).
Então o coração de Gilgamesh teve piedade,
Diz ao seu servo Enkidu:
"Ó Enkidu, deixa o pássaro cativo voltar para o seu lugar,
Deixa o homem cativo voltar ao seio de sua mãe".
Enkidu responde a Gilgamesh:
"O mais alto que não tem razão,
Namtar (demónio da morte) o devorará, Namtar que não conhece distinções.
Se o pássaro cativo voltar ao seu lugar,
Se o homem cativo voltar ao seio de sua mãe,
Tu não voltarás à cidade da mãe que te deu o ser".
Huwawa diz a Enkidu:
"De mim, ó Enkidu, tu disseste-lhe mal,
Ó homem vendido (...) tu disseste-lhe mal".
Quando ele assim falou,
Eles cortaram-lhe o pescoço;
Colocaram sobre ele (...)
Trouxeram-no perante Enlil e Ninlil (...).
Fonte: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
O senhor Gilgamesg para a Terra dos Vivos dirigiu o seu pensamento,
Ele diz ao seu servidor Enkidu:
"Ó Enkidu, o tijolo e o selo ainda não deram origem ao fim fatal,
Eu entraria na "terra", eu elevaria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes foram elevados eu elevaria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes ainda não foram elevados eu elevaria os nomes dos deuses".
O seu servidor Enkidu respondeu-lhe:
"Ó meu senhor, se tu queres entrar na "terra", informa Utu,
Informa Utu, o herói Utu –
A "terra" está a cargo de Utu,
A terra dos cedros abatidos está a cargo do herói Utu – informa Utu".
Gilgamesh poisou as suas mãos sobre um cabrito todo branco,
Um cabrito castanho, uma oferenda, ele apertou contra o peito,
Na sua mão colocou o bastão de prata (...)
Diz a Utu do Céu:
"Ó Utu, eu quereria entrar na "terra", sê meu aliado,
Eu quereria entrar na terra do cedro abatido, sê meu aliado".
Utu do Céu respondeu-lhe:
"É verdade que tu é (...), mas o que és tu para a "terra"?"
"Ó Utu, eu quereria dizer-te uma palavra, para a minha palavra o teu ouvido,
Eu fá-la-ia chegar a ti, dá-lhe ouvidos.
Na minha cidade morre-se, oprimido está o coração,
O homem perece, pesado está o coração.
Eu espreitei sobre o muro,
Vi os cadáveres... flutuando no rio;
Quanto a mim, eu terei o mesmo destino; verdadeiramente assim será.
O homem, por mais alto, não pode chegar ao Céu,
O homem, por mais largo, não pode cobrir a Terra.
O tijolo e o selo não decretaram ainda o fim fatal
Eu quereria entrar na "terra", fixaria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes foram erguidos eu ergueria o meu nome,
Nos lugares onde os nomes não foram erguidos ergueria o nome dos deuses".
Utu aceitou as suas lágrimas como oferenda,
Como um homem de misericórdia, mostrou-lhe misericórdia,
Os sete heróis, os filhos de uma mãe, (...)
Ele trouxe para dentro das cavernas da montanha.
Quem abateu o cedro agiu alegremente,
O senhor Gilgamesh agiu alegremente,
Na sua cidade, como um homem, ele
Como dois companheiros, ele
"Quem tem casa, para sua casa! Quem tem mãe, para a sua mãe!
Que os homens solteiros que fariam como eu, cinquenta, permaneçam a meu lado".
À casa dos forjadores ele se dirigiu,
O machado, o seu "poder de heroísmo" ele ali mandou fundir.
Ao jardim da planície se dirigiu,
A árvore, o salgueiro, a macieira, o buxo, a árvore ali derrubou.
Os "filhos" da sua cidade que o acompanhavam colocaram-nos nas suas mãos.
Após passarem as montanhas, Gilgamesh adormeceu. Enkidu tenta despertá-lo.
Toca-lhe, ele não se ergue,
Fala-lhe, ele não responde.
"Tu que estás deitado, tu que estás deitado,
Ó Gilgamesh,, senhor, filho de Kullab, por quanto tempo permanecerás deitado?
A "terra" escureceu, as sombras derramaram-se sobre ela,
O crepúsculo fez brotar a sua luz,
Utu foi de cabeça erguida para o seio de sua mãe, Ningal,
Ó Gilgamesh, por quanto tempo permanecerás deitado?
Não deixes que os filhos da tua cidade que te acompanham
Permaneçam esperando por ti ao pé da montanha,
Não permitas que a tua mãe que te deu o ser seja conduzida à "praça" da cidade".
Ele consentiu,
Com a sua "palavra de heroísmo" cobriu-se como um vestuário,
O seu vestuário de trinta siclos que levava na mão cruzou sobre o peito,
Como um touro, fixou-se na "grande terra",
Encostou a boca ao solo, os seus dentes abanaram.
"Pela vida de Ninsun, minha mãe que me deu o ser, e do puro Lugalbanda, meu pai, Possa eu tornar-me como alguém que se senta, para ser admirado, nos joelhos de Ninsun, a mãe que me deu o ser":
Uma segunda vez ele lhe diz:
"Pela vida de Ninsun, minha mãe que me deu o ser, e do puro Lugalbanda, meu pai, Até que eu tenha morto esse ‘homem’, se ele for um homem, até que o tenha morto, se ele for um deus,
Os meus passos dirigidos para o ‘campo’, não os dirigirei para a cidade".
O atento servidor suplicou, (...) ou a vida,
Ele respondeu ao senhor:
"Ó meu senhor, tu, que nunca viste este ‘homem’, não estás aterrorizado,
Eu, que vi este ‘homem’, estou aterrorizado.
O guerreiro, os seus dentes são os dentes de um dragão,
O seu rosto, é o rosto de um leão,
O seu (...) é o curso de água torrencial,
Da sua fronte, que devora árvores e juncos, nada escapa.
Ó meu senhor, parte para o ‘campo’, eu partirei para a cidade,
Direi a tua mãe da tua glória, que ela te louve,
Dir-lhe-ei da tua morte próxima, que ela verta lágrimas amargas.
Por mim um outro não morrerá, o barco carregado não se afundará,
O fato de três pregas não será cortado,
O (...) não será submergido,
O fogo não destruirá a casa e a cabana.
Ajudai-me e ajudar-te-ei, o que pode acontecer-nos?
Vem, vamos para a frente, fixá-lo-emos com os nossos olhos,
Se avançarmos,
E se houver medo, se houver medo, fá-lo arrepiar caminho,
Se houver terror, se houver terror, fá-lo arrepiar caminho,
No teu (...), vem, vamos para a frente".
Quando ainda não tinha chegado a uma distância de 1200 pés,
Huwawa, a sua casa de cedro,
Fixou o seu olhar sobre ele, o olhar da morte,
Inclinou a cabeça sobre ele, agitou a cabeça para ele,
Ele próprio Gilgamesh arrancou a primeira árvore,
Os ‘filhos’ da sua cidade que o acompanhavam
Cortaram-lhe a rama, apanharam-na,
Puseram-na no sopé da montanha.
Depois ele próprio, tendo arrancado a sétima, aproximou-se do seu quarto,
Dirigiu-se para a ‘cobra do cais do vinho’ na sua parede,
Como alguém depondo um beijo, ele esbofeteou-lhe a face.
Huwawa, o seu dente abanou, a sua mão tremeu,
"Eu gostaria de te dizer uma palavra,
(Ó Utu), não conheço a mãe que me deu o ser, não conheço o pai que me criou,
Na ‘terra’ deste-me o ser, criaste-me".
Ele esconjurou Gilgamesh pela vida do Céu, pela vida da Terra, pela vida do mundo inferior,
Tomou-o pela mão (...).
Então o coração de Gilgamesh teve piedade,
Diz ao seu servo Enkidu:
"Ó Enkidu, deixa o pássaro cativo voltar para o seu lugar,
Deixa o homem cativo voltar ao seio de sua mãe".
Enkidu responde a Gilgamesh:
"O mais alto que não tem razão,
Namtar (demónio da morte) o devorará, Namtar que não conhece distinções.
Se o pássaro cativo voltar ao seu lugar,
Se o homem cativo voltar ao seio de sua mãe,
Tu não voltarás à cidade da mãe que te deu o ser".
Huwawa diz a Enkidu:
"De mim, ó Enkidu, tu disseste-lhe mal,
Ó homem vendido (...) tu disseste-lhe mal".
Quando ele assim falou,
Eles cortaram-lhe o pescoço;
Colocaram sobre ele (...)
Trouxeram-no perante Enlil e Ninlil (...).
Fonte: http://www.pauloliveira.com/MySiteOLD/Zigurate/Zigurates.htm
quarta-feira, 25 de maio de 2011
ENUMA ELISH ( TEXTO BABILÔNICO )
1
Quando não havia Universo, nem terra, nem peso, nem profundezas.
Quando o Apsu estava sozinho,
Ele, as águas doces, o iniciador da criação, e Tiamat ( donzela da vida ), as águas salgadas, e aquele que voltou para onde nasceu, seu Mummu, quando não existiam os deuses....
Quando doce e salgado estavam juntos, sem separação,
Os juncos não estavam trançados, ou galhos sujavam as águas,
quando os deuses não tinham nome, natureza ou futuro, então a partir de Apsu e Tiamat, nas nuvens dele e dela, foram criados os deuses, e nas águas a terra precipitou-se,
Lahmu e Lahumu
foram nomeados; não eram nem bem velhos, nem bem crescidos
quando Anshar e Kishar os dominaram,
e as linhas do céu e da terra se estabeleceram onde os horizontes se encontram para separar o que era nuvem do que era terra.
Dias seguiram dias, anos seguiram anos,
Até An , o céu vazio, herdeiro e conquistador,
primogênito de seu pai, à imagem de sua própria natureza,
fez nascer Nudimud-Ea,
intelecto e sabedoria maiores do que o horizonte dos céus,
o mais forte de todos os de sua espécie.
Discórdia rompeu entre os deuses, apesar de serem irmãos, e a brigar eles começaram na barriga de Tiamat, fazendo o céu tremer, e começaram a dançar; o Apsu não pode silenciar o clamor, seus modos eram ruins, altaneiros e orgulhosos.
Tiamat continuava inerte até que Apsu, o pai dos deuses, chamou por seu conselheiro, Mummu:
- Caro conselheiro, vem comigo até Tiamat.
Eles assim o fizeram, e em frente de Tiamat eles se sentaram, falando sobre os jovens deuses, seus filhos primogênitos; Apsu falou:
- Os modos deles me revoltam, dia e noite, sem cessar, sofremos. Minha vontade é destruí-los, todos os de sua espécie, para que possamos Ter paz e dormir novamente.
Quando Tiamat isto escutou, ela se sentiu atingida, e se retorceu, em solitária desolação, o coração cheio de paixão mantida em segredo. Disse Tiamat:
- Por que devemos destruir os filhos que fizemos? Se os modos deles são o problema, esperemos um pouco mais.
Então Mumu aconselhou Apsu, e ele falou com maldade:
Pai, destrua-os todos numa rebelião completa, e teremos calma durante o dia, e à noite poderemos dormir.
Quando Apsu ouviu os objetivos contra seus filhos, sua face inflamou-se com o prazer do mal; mas a Mummu ele abraçou, pendurou-se ao seu pescoço, colocou-o nos seus joelhos e o beijou.
Esta decisão foi conhecida por todas as crianças, a confusão tomou-os e em seguinda um grande silêncio, porque estavam confusos.
O deus que é a fonte da sabedoria, a inteligência brilhante que percebe e planeja, Nudimud-Ea, examinou a questão, sondou o tumulto do caos, e contra isto deliberou o artífice do universo .
Ele disse a palavra que encanta as águas, e este encanto caiu sobre o Apsu, que dormiu. As águas doces dormiram, Apsu dormiu, Mummu foi então derrotado , e Apsu permaneceu inerte, sem ação.
Ea então rasgou o manto de glória flamejante e tomou sua coroa, vestindo a si mesmo com a auréola de rei. Quando Ea prendeu Apsu, ele o matou, e Mummu, o conselheiro sombrio, pegou pelo nariz, aprisionando-o.
Ea derrotou seus inimigos, pisando por cima deles. Agora que seu triunfo estava completo, em profunda paz, ele descansou, em seu palácio sagrado, Ea adormeceu. Por sobre o abismo, à distância, ele construiu sua casa e templo, e ali, com toda magnificência, ele foi viver com sua esposa Damkina .
Naquela sala, no ponto das decisões onde o que deve vir a ser é pré-determinado, ele foi concebido, o mais sagaz, aquele que veio do poder mais absoluto em ação.
No abismo profundo ele foi concebido, MARDUK foi criado no coração do Apsu, MARDUK foi criado no coração do Apsu sagrado. Ea é seu pai e Damkina a ele deu à luz, pai e mãe; ele foi amamentado pelas deusas, suas amas dotaram-no com grande poder.
O corpo de Marduk era lindo; quando erguia seus olhos, luzes dele irradiavam , seu passo era majestoso, ele foi um líder desde o início.
Quando Ea o viu ele estava exultante, radiante, brilhante, porque ele era perfeito, e multiplicou seus dons divinos, para ser o primeiro e o mais alto
Os membros de Marduk eram imaculados, sua forma um mistério amedrontador além da compreensão, com quatro olhos para visão sem limite , e quatro ouvidos que ouviam tudo, quando seus lábios se moviam, uma língua de fogo se projetava. Membros fortes, titânicos, de pé, ele ultrapassava em altura os outros deuses, tão forte ele era, pois vestia a glória de dez e raios se projetavam ao seu redor .
- Meu filho, meu filho, filho do sol, e sol do firmamento!
Então An criou os ventos, colocou-os nos quatro quadrantes, para que ele pudesse comandar a poeira e formar o tornado, uma tempestade para atormentar Tiamat
Mas agora os outros deuses não tinham paz, atormentados pela tempestade, eles conspiraram em segredo e levaram a Tiamat a razão de suas tramas. À mãe Tiamat, eles disseram:
- Quando eles mataram Apsu, você não se moveu, você não fez nada para ajudar teu esposo. Agora An chamou estes ventos abomináveis dos quatro quadrantes para rugir nas tuas entranhas. Quanto a nós, não podemos descansar, tal é a dor. Lembra de Apsu no teu coração, teu esposo, lembra de Mummu, que foi derrotado, agora estás sozinha, desolada, e nós perdemos teu amor. Nossos olhos doem, e queremos dormir. Acorda, mãe, vai à forra e acaba com eles como o vento!
Tiamat aprovou, dizendo:
- Aprovo tal conselho: faremos monstros, e os monstros e os deuses irão marchar juntos na batalha.
Juntos eles marcharào com Tiamat, dia e noite furiosamente eles tramarão, prontos para a batalha, enquanto a Velha Bruxa, a primeira mãe, começou a geração dos monstros
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos vestidos de glória como deuses. (Quem olhasse estas coisas recebia o choque da morte, pois quando tinham estes corpos, não voltavam retrocediam).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não havia misericórdia nas armas deles, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
Tal posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes.
Ela deu a ele as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento é a última palavra! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Quando Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a Anu, em suas várias naturezas, eles confirmaram a geração de monstros.
2
Quando seus trabalhos na criação terminaram, contra seus filhos Tiamat começou a fazer os preparativos de guerra. Estas foram as más novas que chegaram até Ea.
Quando ele soube das más novas, Ea ficou prostrado, sentando-se em silêncio até encher-se de ira. Então ele lembrou-se dos outros deuses. Ele foi até Anshar, pai de seu pai, para relatar-lhe dos planos tramados por Tiamat.
- Ela nos odeia, pai, nossa mãe Tiamat levantou as hordas, ela ruge com turbulência e outros se juntaram a ela, todos os deuses a quem deste a vida.
Juntos, eles estão para marchar com Tiamat, dia e noite, furiosamente eles tramam, bradando e rugindo, prontos para batalha, enquanto que a Velha Bruxa, a primeira de todas as mães, nutre uma nova geração.
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos vestidos de glória como deuses. (Quem olhasse estas coisas recebia o choque da morte, pois quando tinham estes corpos, não voltavam retrocediam).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não havia misericórdia nas armas deles, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
Tal posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes
Ela deu a Kingu as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Portanto Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a An, em suas várias naturezas.
Quando Anshar soube de como a tempestade de Tiamat estava se levantando, ele sentiu como se lhe tivessem atingido as entranhas, e mordendo os lábios, preocupado e doente no coração, ele cobriu sua boca para aplacar palavras de preocupação e temor.
Finalmente ele falou, incentivando Ea a lutar:
Já uma vez fizeste uma armadilha de palavras; vá agora e tente [novamente]. Mataste Mummu, mataste Apsu; mate Kingu, aquele que marcha à frente de Tiamat!
O sagaz conselheiro dos deuses, Nudimud-Ea respondeu a Anshar:
[Quebra de oito linhas parcialmente reconstruídas]
Irei ao encontro de Tiamat e acalmarei seu espírito, quando o coração dela transbordar, ela irá ouvir minhas palavras, e se não forem as minhas palavras, então as tuas irão acalmar as águas.
Nudimmud tomou o caminho mais curto, indo direto a Tiamat. Mas quando ele viu toda a estratégia dela, ele retrocedeu, tremendo.
Portanto, Anshar chamou seu filho An.
Este é o verdadeiro herói, a força irresistível, um deus forte. Vai, enfrenta Tiamat e acalme seu espírito. Quando o coração de Tiamat transbordar, ela irá te ouvir, mas se ela permanecer irredutível, minha palavra irá acalmar as águas.
An tomou o caminho mais curto, indo direto a Tiamat. Mas quando ele viu toda a estratégia dela, ele retrocedeu, tremendo, para seu pai Anshar
Ele contou como viu a força de Tiamat:
"Minhas mãos são muito fracas, eu não posso conquistá-la!".
Anshar ficou estupefato; ele olhou para o chão, sentiu seus cabelos ficarem em pé. Ele balançou [vigorosamente] a cabeça para Ea e todos os Anunnaki , os deuses reunidos no palácio, todos em grande silêncio, sentados em seus lugares, calados, pensando no acontecido.
"Que outro deus pode declarar guerra a Tiamat? Ninguém mais pode olhá-la de frente e voltar."
Então o Senhor, pai de todos os deuses, levantou-se com toda majestade. Tendo tudo considerado, ele falou aos Anunnaki:
- Quem dentre nós é impetuoso na batalha? Marduk, o herói! Somente ele é forte o bastante para nos vingar.
Ea chamou então Marduk no local secreto, e deu-lhe conselhos sutis, fruto de seus pensamentos mais profundos:
- Você é o filho amado que alegra meu coração , Marduk. Quando fores até Anshar, caminhe até ele sem hesitação, como se fosses para uma batalha. Em pé, mostrando toda tua estatura, fala com ele, e daí, quando ele te vir portando-te desta forma, seu coração irá se acalmar.
Marduk exultou, e fez tal qual seu pai havia-lhe dito. Ele avançou com confiança até Anshar, e de pé, em toda sua estatura, levantou os olhos para o grande deus. Quando Anshar viu o jovem deus, seu coração transbordou de alegria, ele beijou o jovem herói nos lábios e espantou todo desespero.
- Anshar, quebra teu silêncio, que tuas palavras soem, pois vou executar o que teu coração mais deseja. Que herói já impôs batalha sobre ti? Apenas uma mulher, aquele ser feminino, apenas Tiamat te desafia com todos os seus artifícios. Logo, porém, estarás de pé sobre o pescoço de Tiamat.
- Meu filho, meu filho sábio, confunda Tiamat com palavras cheias de força, vá rápido e agora, na tempestade que é tua carruagem. Os ventos da tempestade jamais irão te abandonar em face a Tiamat, mas tendo acabado com ela, não tardes em retornar.
Marduk exultou, com espíritos elevados ele disse ao pai dos deuses:
Criador de todos os deuses, aquele que decide os destinos, se devo ser teu vingador, aquele que irá derrotar Tiamat, salvando a vida de todos os deuses, chame a Assembléia, dá-me precedência sobre todo o resto; e quando o grande Anshar se sentar para passar decretos, alegremente sentado no Ubshukinna, a Sala do Sínodo, agora e para sempre , que minha palavra seja a lei. Eu, não você, irei decidir a natureza do mundo, o que deve vir a ser. Meus decretos jamais deverão ser alterados ou anulados, mas que minha criação perdure até os fins do mundo!
3
Palavras saíram dos lábios de Anshar; ele disse a seu conselheiro Kaka:
- És o conselheiro que alegra meu coração, aquele que julga com grande verdade e sabe usar da persuasão com justiça. Vá até Lahmu e Lahamu. Estou te ordenando que vá aos fundamentos da existência, e que chames as gerações dos deuses.
Que eles falem, que eles se sentem juntos para banquetear, que eles festejem, comam e bebam licores e que todos confirmem o destino do vingador Marduk! Kaka, vá logo, e de pé, diante deles, repita o que lhe digo [agora]: Aqui fui mandado por seu filho Anshar, e fui encarregado de comunicar seus segredos a ele!,
" Ela nos odeia, nossa mãe Tiamat levantou este Exército, ela ruge com turbulência e outros se juntaram a ela, todos os deuses a quem deste a vida.
Juntos, eles estão para marchar com Tiamat, dia e noite, furiosamente eles tramam, bradando e rugindo, prontos para batalha, enquanto que a Velha Bruxa, a primeira de todas as mães, nutre uma nova geração.
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos vestidos de glória como planetas. (Quem olhasse estas coisas recebia o choque da morte, pois quando tinham estes corpos, não voltavam retrocediam).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não havia misericórdia nas armas deles, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
al posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes
Ela deu a Kingu as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Portanto Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a An, em suas várias naturezas.
Mandei An, mas ele não pode enfrentar Tiamat, Nudimmud voltou cheio de terror, então Marduk levantou-se, um jovem e sábio deus, um da linhagem sagrada, seu coração o impeliu para enfrentar Tiamat. Mas ele disse o seguinte:
Criador de todos os deuses, aquele que decide os destinos, se devo ser teu vingador, aquele que irá derrotar Tiamat, salvando a vida de todos os deuses, chame a Assembléia, dá-me precedência sobre todo o resto; e quando o grande Anshar se sentar para passar decretos, alegremente sentado no Ubshukinna, a Sala do Sínodo, agora e para sempre, que minha palavra seja a lei. Eu, não o grande Anshar, irei decidir a natureza do mundo, o que deve vir a ser. Meus decretos jamais deverão ser alterados ou anulados, mas que minha criação perdure até os fins do mundo!
Portanto, venham logo e confirmem o destino de Marduk, e o mais breve possível ele irá partir para encontrar a Grande Adversária!"
Kaka partiu, indo até Lahmu e Lahamu. Ele beijou os sedimentos primevos, ele curvou-se até o chão e entregou a seguinte mensagem aos antigos deuses:
Fui mandado vir aqui por seu filho Anu, encarregado de lhes contar seus pensamentos mais secretos:
" Ela nos odeia, nossa mãe Tiamat levantou as hordas, ela ruge com turbulência e outros se juntaram a ela, todos os deuses a quem deste a vida.
Juntos, eles estão para marchar com Tiamat, dia e noite, furiosamente eles tramam, bradando e rugindo, prontos para batalha, enquanto que a Velha Bruxa, a primeira de todas as mães, nutre uma nova geração.
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos que vestem sua glória como deuses. (Quem olhasse tais criaturas recebia o choque da morte).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem (e Mulher) Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não há misericórdia nestas armas, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
Tal posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes.
Ela deu a Kingu as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Portanto Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a An, em suas várias naturezas.
Mandei An, mas ele não pode enfrentar Tiamat, Nudimmud voltou cheio de terror, então Marduk levantou-se, um jovem e sábio deus, um da linhagem sagrada, seu coração o impeliu para enfrentar Tiamat. Mas ele disse o seguinte:
Criador de todos os deuses, aquele que decide os destinos, se devo ser teu vingador, aquele que irá derrotar Tiamat, salvando a vida de todos os deuses, chame a Assembléia, dá-me precedência sobre todo o resto; e quando o grande Anshar se sentar para passar decretos, alegremente sentado no Ubshukinna, a Sala do Sínodo, agora e para sempre, que minha palavra seja a lei. Eu, não o grande Anshar, irei decidir a natureza do mundo, o que deve vir a ser. Meus decretos jamais deverão ser alterados ou anulados, mas que minha criação perdure até o final dos tempos e os confins do mundo!
Portanto, venham logo e confirmem o destino de Marduk, e o mais breve possível ele irá partir para encontrar a Grande Adversária!"
Quando Lahmu e Lahamu ouviram isto, eles se preocuparam, e todos os deuses fizeram gemidos de preocupação.
Que estranha e terrível decisão, os desígnios de Tiamat são profundos demais para nós entendermos.
Então eles se prepararam para a jornada, todos os deuses que determinam a natureza do mundo e das coisas que virão a ser vieram a pedido de Anshar, encheram o Ubshukinna, cumprimentaram-se uns aos outros com um beijo.
Na Sala do Sínodo as vozes ancestrais foram ouvidas, eles se sentaram no banquete, eles comeram e festejavam com iguarias e licores mais deliciosos.
Suas almas se expandiram, seus corpos ficaram pesados e sonolentos, e este era o estado dos deuses quando eles estabeleceram o destino de Marduk.
4
Foi feito um trono para Marduk, e ele ali se sentou, face a face com seus ancestrais para receber o governo.
- Um deus é maior do que todos os outros deuses,
de fama mais justa, cuja palavra de comando, é a palavra dos céus, oh Marduk, o maior de todos os grandes deuses, honra e fama, vontade de Anu, grande no comando, palavra eterna e inalterada!
Onde houver ação, Marduk é o primeiro a agir,
Onde houver governo, Marduk é o primeiro a governar, para dar glória a uns, para humilhar outros, a prerrogativa do deus, Verdade absoluta, vontade sem limite, que deus ousará questioná-lo? Nos seus locais mais lindos destes mesmos deuses, um lugar é sempre guardado para Marduk, nosso vingador.
Nós te chamamos aqui para receber o cetro, para fazer de ti rei de todo o universo. Quando te sentares no Sínodo, serás o árbitro; na batalha, tuas armas esmagarão o inimigo.
- Deus, salva a vida de qualquer deus que se voltar para ti; mas para aqueles deuses que apreenderem o mal, que a vida destes deuses lhes seja tirada.'
Os deuses ancestrais conjuraram então um tipo de aparição na frente deles, fazendo com que este ser aparecesse frente a Marduk, para dizer ao jovem deus, o primogênito:
- Deus, tua palavra entre os deuses arbitra, destrói e cria; fale então e esta aparição irá desaparecer. Fale novamente, e a aparição irá reaparecer.
Ele falou e a aparição desapareceu. Novamente ele falou, e a aparição reapareceu. Quando os deuses deram-se satisfeitos por Marduk Ter provado a força de sua palavra, os deuses ancestrais abençoaram-no e bradaram:
- MARDUK É REI!
Os deuses ancestrais vestiram Marduk com as vestimentas reais, o cetro e o trono a ele foram dados, bem como armas de guerra sem igual como um escudo contra adversários.
Parta agora. Tire a vida de Tiamat, e que os ventos carreguem seu sangue até os limites mais secretos do mundo!
Os antigos deuses mostraram a Bel o que ele teria de ser e o que deveria fazer, sempre através da conquista, sempre através de [grandes] vitórias;
Então Marduk fez uma reverência e para marcar aquela que seria sua arma, sua e somente sua, ele colocou uma flecha contra o arco, na mão direita e segurou a clava e levantou-a para o alto, arco e flecha pendurados ao ombro, sendo que relâmpagos se projetavam à sua frente, ele mesmo tornando-se numa figura incandescente.
Ele fez uma rede, uma isca para Tiamat; os ventos, em suas posições nas quatro direções, seguraram tal rede, o vento sul, o vento norte, o vento leste e o vento oeste, de forma que parte alguma de Tiamat pudesse escapar.
Com a rede, o presente de Anu, ao lado, ele se ergueu.
IMHULLU
O vento atroz, a tempestade, o redemoinho, o furacão, o vento dos quatro, o vento dos sete, e o túmido, o pior de todos.
Todos os sete ventos foram criados e liberados para assaltar as entranhas de Tiamat. Os ventos se postaram atrás de Marduk. Então o tornado
ABUBA
Seu último grande aliado, o sinal para para o assalto, ele levantou.
Marduk montou na tempestade, sua carruagem terrível, tomou as rédeas, em suas mãos uma parelha de quatro terríveis, afiados dentes venenosos, o Matador, o Impiedoso, Marchador, Rápido, eles sabiam artes de pilhagem, habilidades de assassinos.
Ele colocou à sua direita o Batedor, o melhor em fazer confusões; à sua esquerda esta a Fúria da Batalha, que aniquila o mais bravo; adornou sua armadura com terror, uma auréola de espanto; com uma palavra mágica murmurada entre dentes, uma planta que cura foi pressionada na palma de sua mão. Assim armado, ele partiu.
Ele seguiu na direção do som crescente da ira de Tiamat, com todos os deuses a seu lado, e os pais de todos os deuses. Desta forma, Marduk se aproximou de Tiamat.
Ele a observou examinando as profundezas, ele testou o plano de Kingu, o consorte de Tiamat, mas assim que Kingu viu o jovem deus, ele começou a tremer, começou a sentir medo, e ao ver os deuses que enchiam as fileiras atrás de Marduk, quando Kingu viu o bravo jovem deus, seus olhos repentinamente se anuviaram.
Mas Tiamat, sem virar seu pescoço, cuspiu em desafio:
Arrogante, pensas que és o maioral? Eles estão saindo agora de seus esconderijos por você?
Então o senhor levantou um furacão, a grande arma que ele lançou com palavras e terrível fúria:
- Por que estás te insurgindo, teu orgulho criando um abismo, teu coração escolhendo facções, para que teus filhos rejeitem seus pais? Mãe de todos nós, por que tens de ser a mãe da guerra?
Fizeste de Kingu, aquele inepto, teu esposo! Deste a ele a posição de Anu, não que ele merecesse, porém. Tens abusado dos deuses, meus ancestrais, em amarga malevolência ameaças Anshar, o rei de todos os deuses. Tens incentivado as forças para batalha, preparado as armas de guerra. Levante-se, portanto, sozinha, e lutaremos contra ti, e eu somente contigo irei lutar.
Quando Tiamat ouviu Marduk, com seus nervos à flor da pele, ela ficou enraivecida e gritou para o alto, suas pernas estremeceram, ela começou a fazer encantos e maldições, enquanto que os deuses da guerra afiavam as suas armas.
Então eles encontraram Marduk, o mais arguto dos deuses, e Tiamat engalfinhou-se com ele num combate corpo a corpo.
Marduk lançou sua rede para prender Tiamat, e o implacável vento Imhullu veio por trás e bateu na face de Tiamat. Quando ela abriu a boca para engolir Marduk, o jovem deus empurrou Inhullu para dentro dela, de modo que a boca não se fechasse e que o vento rugisse na barriga da mãe original de todos os deuses, para que sua carcassa explodisse, entumecida. Tiamat escancarou sua boca, e então Marduk disparou a flecha que lhe cortou as entranhas, que atingiu seu estômago e útero da criação.
Agora que Marduk havia conquistado Tiamat, ele terminou com a vida dela. Ele atirou-a ao chão, subindo em sua carcassa. A líder da insurreição estava morta, seu corpo despedaçado, seu bando disperso.
Aqueles deuses que haviam marchado ao lado dela agora estavam cheios de terror. Para salvar suas próprias vidas, se pudessem , voltaram suas costas ao perigo. Mas então eles foram rodeados num círculo, do qual não podiam escapar.
Marduk esmagou as armas dos deuses rebeldes, e jogou-as com eles na sua rede. Lá, os deuses rebeldes choraram e se esconderam pelos cantos, sofrendo a ira de Marduk.
Aqueles que resistiram, foram colocados em grilhões, que continham onze monstros, estes monstros os filhos malditos de Tiamat, com todos os seus armamentos assassinos. O bando demoníaco da grande deusa que havia marchado à frente dela, Marduk levou ao solo, de joelhos.
Mas Kingu, o usurpador, o chefe de todos eles, Marduk prendeu e o matou, tomando as Tábuas do Destino, usurpadas sem direito por Kingu, e selando-as com seu selo, Marduk colocou-as em seu peito.
Quando tudo isto tinha sido feito, os adversários derrotados, o inimigo orgulhoso humilhado, quando o triunfo de Anshar havia sido alcançado sobre o inimigo, e a vontade de Nudimmud satisfeita, então o bravo Marduk apertou as cordas dos prisioneiros.
Ele voltou para onde Tiamat jazia acorrentada, ele abriu as pernas da deusa e espatifou seu crânio (pois a clava não tinha misericórdia), ele cortou as artérias e o sangue dela jorrou na direção do Vento Norte para os confins desconhecidos do Mundo Físico.
Quando os deuses viram tudo isto, eles riram alto e mandaram presentes a Marduk. Eles mandaram ao jovem herói tributos agradecidos.
O jovem deus descansou. Ele olhou para o corpo amplo de Tiamat, ponderando sobre como usá-lo, o que criar da carcassa morta. Ele abriu o corpo de Tiamat em dois, com a primeira metade, a superior, ele construiu o arco dos céus, ele empurrou para baixo uma barra e fez uma sentinela para as águas, de forma que estas jamais pudessem escapar.
Ele cruzou o céu para conhecer a distância infinita; ele colocou-se a si mesmo sobre o Abzu, o mesmo Abzu construído por Nudimmud sobre o velho abismo que agora ele navegava, medindo-o e mapeando- o .
Ele estendeu a imensidão do firmamento, ele fez Esharra, o Grande Palácio, à sua imagem terrena, e Anu, Enlil e Ea tiveram seus caminhos certos.
5
Ele projetou posições para os grandes deuses sempre presentes nos céus, ele deu a eles um aspecto estelar como constelações; ele mediu o ano, dando a este começo e fim, e para cada mês do total de doze, ele assinalou três estrelas ascendentes.
Quando ele havia marcado os limites do ano, ele deu aos deuses e a todos nós Nibiru, o polo do universo, para manter o curso das estrelas, para que erro algum pudesse ocorrer ao longo de todo firmamento. Para os caminhos de Ea e Enlil, ele estabeleceu um paralelo.
Das costelas de Tiamat, ele abriu os portais do Leste e do Oeste, e colocou ferrolhos na direita e na esquerda, e alto sobre o ventre de Tiamat ele determinou o zênite.
Ele deu à lua o lustro de uma jóia, ele deu à lua toda noite para marcar os dias, para zelar durante a noite de cada mês o círculo da luz crescente e decrescente.
Lua Nova, quando apareces no mundo, seis dias teus chifres são crescentes, até o meio círculo do sétimo dia, crescendo ainda fase após fase, divides o mês de lua cheia a lua cheia. Então começas a desaparecer e aos trinta dias o ciclo começa novamente, sempre crescendo e decrescendo, para sempre.
Este é teu emblema e a estrada celeste que percorres, e quando te aproximas do sol, ambos falam com justiça e julgamento acima de todas as corrupções.
[Algumas linhas estão faltando aqui]
Após Ter posto a lua, Marduk voltou-se para o sol e fê-lo completar um ciclo deste até o próximo Ano Novo.
...Ele deu a ele o Portal do Leste, e os confins da noite com o dia, ele deu a Shamash.
Então Marduk considerou Tiamat. Ele tocou na espuma do mar salgado, elevou-a até as nuvens, a rotação da água e dos ventos e das nuvens de chuva, a saliva de Tiamat.
Com suas próprias saídas da névoa de vapor, ele espalhou as nuvens. Ele pressionou com força a cabeça das águas, fazendo com que montanhas se assentassem sobre estas, abrindo rios para que corressem. O Eufrates e o Tigre ergueram-se dos olhos de Tiamat, mas ele fechou o nariz dela, para dominar a nascente do rio.
Ele fez grandes montanhas, e nelas fez surgir poços para canalizar as águas das fontes mais profundas; no alto, ele fez um arco com a cauda de Tiamat, prendendo as rodas do céu; nas profundezas sob os pés de Marduk, ele pôs o fulcro do firmamento. Agora a terra tinha as suas fundações, e o céu, o seu manto.
Quando o trabalho do deus tinha acabado, quando ele terminou tudo a que se propôs, então na terra ele fundou templos, e entregou-os todos a Ea.
Mas as Tábuas do Destino foram tiradas de Kingu e devolvidas como um primeiro cumprimento a Anu. Os deuses que desistiram da luta, ele os fez comparecer à sua presença, o pai dos deuses.
Com as armas de guerra quebradas, ele prendeu a seus pés as onze monstruosas criações de Tiamat. Ele criou seres semelhantes a estas criaturas monstruosas para que ficassem de pé, nas portas do abismo, o Portal do Apsu, dizendo:
- Isto é para lembrar que Tiamat não deve ser esquecida!
Todas as gerações dos Grandes deuses ficaram cheias de alegria ao ver Marduk, com Lahmu e Lahamu; seus corações unidos quando se aproximaram para encontrar Marduk.
O Rei Anshar deu a Marduk as boas-vindas com cerimônia, Anu e Enlil vieram carregando presentes, mas quando Marduk recebeu o presente de sua mãe Damkina, então a face do jovem deus brilhou, sua face se iluminou com brilho incandescente.
Ele deu a Usmu, servo de Damkina, aquele que lhe trouxe os cumprimentos, a tarefa de zelar pela casa secreta do Apsu, ele fez de Usmu o guardião dos santuários de Eridu.
Todos os deuses dos céus estavam lá, todos os Igigi caíram de joelhos frente a Marduk, todos os que estavam lá e apoiavam os Anunaki beijaram os pés do jovem deus. Todos os deuses se juntaram em reverência.
Eles se postaram frente a Marduk, fazendo uma grande reverência, bradando em uníssono:
- Ele é mesmo rei!
Quando todos os deuses de todas as gerações estavam altos com o glamur da masculinidade de Marduk, quando eles viram suas roupas com a poeira da batalha, então eles fizeram seu ato de obediência....
Ele se banhou, colocou roupas limpas, pois agora era o rei de todos os deuses. Glória circundava sua cabeça; na sua mão direita, ele segurava a clava da guerra, na sua mão esquerda ele segurava o cetro da paz, seu arco estava preso às suas costas, ele segurava a rede, e sua glória tocava as profundezas. ...
Ele subiu ao trono erguido no templo. Damkina e Ea e todos os Grandes deuses, todos os Igigi bradaram:
- No passado, Marduk significava apenas o filho bem-amado, mas agora ele é em verdade o Rei, ele é deveras Rei!
Os deuses bradaram a uma só voz:
GRANDE SENHOR DO UNIVERSO! Este é seu nome, nele nós confiamos!
Quando tal ato foi executado, quando os deuses fizeram de Marduk seu rei, eles desejaram paz e felicidade ao jovem escolhido:
- Sobre nossas casas, manterás vigília sem cessar, e tudo o que desejares de nós, será feito.
Marduk pensou a respeito destas palavras, e então falou aos deuses reunidos em sua presença. Isto foi o que ele lhes disse:
- No passado, todos habitavam no vazio acima do abismo, mas eu fiz a Terra como um espelho dos Céus, eu consolidei o solo para as fundações, e lá eu irei construir minha cidade, meu lar adorado
Um local sagrado deve ser estabelecido, com salas consagradas à presença do rei. Quando todos vocês vierem das grandes profundezas para se juntarem ao Sínodo, todos encontrarão guarida e conforto para dormir à noite. ]
Quando os deuses das alturas descerem até a assembléia, todos os deuses das alturas também encontrarão guarida e conforto para dormir à noite. Este lar será a BABILÔNIA!
O LAR DOS DEUSES. Os mestres de todas as artes deverão construir minha cidade de acordo com meu plano.
Quando os deuses mais velhos ouviram este discurso, eles sentiram que tinham de fazer uma pergunta:
- Acima de tudo o que criaste com tuas próprias mãos, quem irá administrar a lei? Acima de tudo o que existe na terra que criaste, quem irá sentar para emitir julgamentos?
Deste à tua Babilônia um nome auspicioso, que ela seja para sempre o nosso lar! Que os deuses nos sirvam dia após dia, e que à medida em que nós a ti dermos força e poder, que ninguém usurpe nossas posições!
Marduk, o conquistador de Tiamat, ficou satisfeito; a barganha era boa; ele continuou falando com palavras arrogantes, explicando tudo aos deuses:
- Eles irão prestar este serviço, e dia após dia, todos vocês irão dar força à minha vontade, para que esta seja lei.
Então os deuses adoraram frente a ele, e para ele novamente, para o rei de todo universo, eles bradaram a uma só voz:
- Este grande senhor foi outrora nosso filho, agora ele é nosso rei. Invocaremos seu nome uma vez por cada vida, ele que é o senhor, a chama de luz, o cetro da paz e a clava da guerra.
- Que Ea seja seu arquiteto e que ele faça uma planta de excelência para Babilônia, e seus construtores seremos nós!
6
Agora que Marduk havia escutado o que os deuses haviam dito, surgiu dentro dele o desejo de criar um trabalho da mais completa de todas as artes. Ele contou para Ea os pensamentos profundos que estavam em seu coração.
- Sangue com sangue,
Eu junto,
sangue a osso,
Eu formo
Algo original,
seu nome é HUMANIDADE,
e a humanidade original
é minha criação.
- Todas as suas ocupações serão o serviço fiel,
os deuses terão seu descanso,
e eu sutilmente alterarei suas operações,
dividindo companhias, igualmente abençoadas.
Ea respondeu com palavras cuidadosamente escolhidas, completando o plano para o conforto dos deuses. Ele disse a Marduk:
- Que apenas um(a) da raça seja levado, apenas um(a) precisa morrer para a nova criação. Reúna os deuses na Grande Assembléia, e que apenas um morra, para que o restante possa viver.
Marduk chamou os Grandes deuses ao Sínodo, ele presidiu a assembléia com cortesia, ele deu instruções a todos eles, que o escutaram com grave atenção.
O rei falou aos deuses rebeldes:
- Declarem, sob juramento, que falarão a verdade e respondam: quem instigou a rebelião? Quem despertou Tiamat? Quem liderou a batalha? Que o instigador da guerra seja entregue, que seja considerado culpado e receba punição, e que a paz reine entre vocês para sempre.
Os Grandes deuses responderam ao Senhor do Universo, rei e conselheiro dos deuses:
Foi Kingu quem instigou a rebelião, ele revoltou as águas da amargura e liderou a batalha por ela.
Eles declararam Kingu culpado, eles o prenderam e o fizeram se ajoelhar frente a Ea, eles cortaram suas artérias e do sangue de Kingu eles criaram os homens e mulheres. Ea impôs a Kingu sua servidão.
Quando isto foi feito, quando Ea em sua sabedoria criou os homens e as mulheres e o dever de tais homens e mulheres, este ato além de [toda] compreensão, esta maravilha de sutileza concebida por Marduk e executada por Nudimmud
Então Marduk, como rei, dividiu os deuses, uma parte para os céus e outra parte para as alturas: 300 deles nas alturas para zelar pelos céus, os zeladores da lei de Anu, e cinco vezes sessenta para a terra, seiscentos deuses entre o céu e a terra.
Quando a lei universal foi estabelecida, e aos deuses alocados seus domínios, então os Anunaki, os deuses da terra, os deuses que haviam sido derrotados, dirigiram-se a Marduk:
Agora que nos libertaste e fizeste menor nossa carga de trabalho, como devemos retribuir tal graça? Que construamos um templo e que o chamemos O ALBERGUE DO DESCANSO DA NOITE
Lá onde todos iremos dormir uma estação do ano, no Grande Festival, quando todos reunidos em Assembléia, iremos construir altares para ti, iremos construir Parakku, o Santuário.
Quando Marduk escutou [tais palavras] sua face brilhou como a luz do dia:
O zigurate deve ser construído de acordo com os desejos de todos vocês, os tijolos deverão ser colocados em seus moldes e chama-la-emos de Parakku, o Santuário.
Os deuses Anunnaki pegaram suas ferramentas, e levaram um ano inteiro para moldar os tijolos [necessários]; no segundo ano, eles levantaram o ESAGILA, o templo da terra, o símbolo do céu infinito.
Dentro, havia quartos para Marduk e Enlil e Ea. Com toda majestade, Marduk tomou seu lugar na presença deles todos, onde o topo do zigurate erguia-se por sobre a base.
Quando a construção do templo terminou, os Anunnaki construíram capelas para si; então todos se reuniram, e Marduk ofereceu a todos um banquete.
Esta é Babilônia, a cidade querida dos deuses, teu amado lar! Em comprimento e amplidão, ela é nossa, nós a possuímos, alegra-te com ela, pois ela é tua!
Quando todos os deuses se sentaram, houve vinho, festa e risos, e depois do banquete no lindo Esagila eles executaram a liturgia, os ritos sagrados, a partir dos quais o universo recebe sua estrutura, onde o oculto é trazido às claras, [pois é] através do universo que aos deuses são atribuídos os seus caminhos.
Quando os 50 Grandes deuses se sentaram com os Sete que planejam a natureza imutável das coisas, eles levaram os trezentos até o firmamento. Lá também foi que Enlil levantou o arco de Marduk, colocando-o frente aos deuses.
Ele também ergueu a rede; os deuses elogiaram o trabalho da rede ao verem o quão artesanal era ela, os deuses elogiaram a beleza do arco.
Anu levantou o arco, beijou-o e disse para os deuses:
Este arco vem de mim, e dou a ele um nome sagrado:
O primeiro nome é Longo Bastão, o segundo é para Bastão da Chuva, o terceiro é Bastão das Estrelas que brilham nos céus.
E o Bastão das Estrelas transformou-se num deus entre os deuses.
Quando Anu acabou de pronunciar o destino triplo do arco, ele ergueu o trono do rei e colocou Marduk em cima deste na Assembléia dos deuses.
Dentre eles, surgiu um brado, pelo óleo e pela água, pinçando suas gargantas, para ligar o destino na dor da morte, eles ratificaram a autoridade de Marduk como Rei dos Reis, Senhor dos Senhores do Universo. Anshar deu graças à Marduk, chamando-o de ASARLUHI, o nome que é o primeiro, o mais alto.
- Esperaremos e escutaremos, reverenciaremos e adoraremos o nome dele!
A palavra dele é o último apelo, a vontade escrita dele tem amplo domínio no ponto mais alto e no ponto mais baixo. Toda glória seja dada ao filho, nosso vingador! Seu império não tem fim, pastor dos homens e mulheres,
ele fez da humanidade suas criaturas até o final dos tempos, [e deste fato a humanidade] jamais irá se esquecer!
Ele deve comandar as hecatombes, para os deuses,
[A humanidade] deve encomendar alimentos para os pais e mães.
E adorar no santuário,
onde o odor do incenso e o murmúrio da liturgia
ecoam na terra os costumes do céu.
Os homens e mulheres de cabelos escuros irão adorá-lo na terra,
os que lhe foram sujeitos irão lembrar seu deus,
à cuja palavra eles deverão adorar a deus.
Que as oferendas de alimento jamais faltem para o deus e a deusa, este é o comando dele.
Que os homens e mulheres sirvam aos deuses, este é o comando do deus, que os homens e mulheres trabalhem suas terras, construam suas.
Que os homens e mulheres de cabelos escuros sirvam os deuses na terra sem remissão, enquanto que para nós, na multitude de seus nomes,
Ele é nosso deus.
Saudemos a ele com seus nomes,
Que o saudemos com seus 50 nomes, o deus único.
Fonte:
http://www.sigghil.com/
Quando não havia Universo, nem terra, nem peso, nem profundezas.
Quando o Apsu estava sozinho,
Ele, as águas doces, o iniciador da criação, e Tiamat ( donzela da vida ), as águas salgadas, e aquele que voltou para onde nasceu, seu Mummu, quando não existiam os deuses....
Quando doce e salgado estavam juntos, sem separação,
Os juncos não estavam trançados, ou galhos sujavam as águas,
quando os deuses não tinham nome, natureza ou futuro, então a partir de Apsu e Tiamat, nas nuvens dele e dela, foram criados os deuses, e nas águas a terra precipitou-se,
Lahmu e Lahumu
foram nomeados; não eram nem bem velhos, nem bem crescidos
quando Anshar e Kishar os dominaram,
e as linhas do céu e da terra se estabeleceram onde os horizontes se encontram para separar o que era nuvem do que era terra.
Dias seguiram dias, anos seguiram anos,
Até An , o céu vazio, herdeiro e conquistador,
primogênito de seu pai, à imagem de sua própria natureza,
fez nascer Nudimud-Ea,
intelecto e sabedoria maiores do que o horizonte dos céus,
o mais forte de todos os de sua espécie.
Discórdia rompeu entre os deuses, apesar de serem irmãos, e a brigar eles começaram na barriga de Tiamat, fazendo o céu tremer, e começaram a dançar; o Apsu não pode silenciar o clamor, seus modos eram ruins, altaneiros e orgulhosos.
Tiamat continuava inerte até que Apsu, o pai dos deuses, chamou por seu conselheiro, Mummu:
- Caro conselheiro, vem comigo até Tiamat.
Eles assim o fizeram, e em frente de Tiamat eles se sentaram, falando sobre os jovens deuses, seus filhos primogênitos; Apsu falou:
- Os modos deles me revoltam, dia e noite, sem cessar, sofremos. Minha vontade é destruí-los, todos os de sua espécie, para que possamos Ter paz e dormir novamente.
Quando Tiamat isto escutou, ela se sentiu atingida, e se retorceu, em solitária desolação, o coração cheio de paixão mantida em segredo. Disse Tiamat:
- Por que devemos destruir os filhos que fizemos? Se os modos deles são o problema, esperemos um pouco mais.
Então Mumu aconselhou Apsu, e ele falou com maldade:
Pai, destrua-os todos numa rebelião completa, e teremos calma durante o dia, e à noite poderemos dormir.
Quando Apsu ouviu os objetivos contra seus filhos, sua face inflamou-se com o prazer do mal; mas a Mummu ele abraçou, pendurou-se ao seu pescoço, colocou-o nos seus joelhos e o beijou.
Esta decisão foi conhecida por todas as crianças, a confusão tomou-os e em seguinda um grande silêncio, porque estavam confusos.
O deus que é a fonte da sabedoria, a inteligência brilhante que percebe e planeja, Nudimud-Ea, examinou a questão, sondou o tumulto do caos, e contra isto deliberou o artífice do universo .
Ele disse a palavra que encanta as águas, e este encanto caiu sobre o Apsu, que dormiu. As águas doces dormiram, Apsu dormiu, Mummu foi então derrotado , e Apsu permaneceu inerte, sem ação.
Ea então rasgou o manto de glória flamejante e tomou sua coroa, vestindo a si mesmo com a auréola de rei. Quando Ea prendeu Apsu, ele o matou, e Mummu, o conselheiro sombrio, pegou pelo nariz, aprisionando-o.
Ea derrotou seus inimigos, pisando por cima deles. Agora que seu triunfo estava completo, em profunda paz, ele descansou, em seu palácio sagrado, Ea adormeceu. Por sobre o abismo, à distância, ele construiu sua casa e templo, e ali, com toda magnificência, ele foi viver com sua esposa Damkina .
Naquela sala, no ponto das decisões onde o que deve vir a ser é pré-determinado, ele foi concebido, o mais sagaz, aquele que veio do poder mais absoluto em ação.
No abismo profundo ele foi concebido, MARDUK foi criado no coração do Apsu, MARDUK foi criado no coração do Apsu sagrado. Ea é seu pai e Damkina a ele deu à luz, pai e mãe; ele foi amamentado pelas deusas, suas amas dotaram-no com grande poder.
O corpo de Marduk era lindo; quando erguia seus olhos, luzes dele irradiavam , seu passo era majestoso, ele foi um líder desde o início.
Quando Ea o viu ele estava exultante, radiante, brilhante, porque ele era perfeito, e multiplicou seus dons divinos, para ser o primeiro e o mais alto
Os membros de Marduk eram imaculados, sua forma um mistério amedrontador além da compreensão, com quatro olhos para visão sem limite , e quatro ouvidos que ouviam tudo, quando seus lábios se moviam, uma língua de fogo se projetava. Membros fortes, titânicos, de pé, ele ultrapassava em altura os outros deuses, tão forte ele era, pois vestia a glória de dez e raios se projetavam ao seu redor .
- Meu filho, meu filho, filho do sol, e sol do firmamento!
Então An criou os ventos, colocou-os nos quatro quadrantes, para que ele pudesse comandar a poeira e formar o tornado, uma tempestade para atormentar Tiamat
Mas agora os outros deuses não tinham paz, atormentados pela tempestade, eles conspiraram em segredo e levaram a Tiamat a razão de suas tramas. À mãe Tiamat, eles disseram:
- Quando eles mataram Apsu, você não se moveu, você não fez nada para ajudar teu esposo. Agora An chamou estes ventos abomináveis dos quatro quadrantes para rugir nas tuas entranhas. Quanto a nós, não podemos descansar, tal é a dor. Lembra de Apsu no teu coração, teu esposo, lembra de Mummu, que foi derrotado, agora estás sozinha, desolada, e nós perdemos teu amor. Nossos olhos doem, e queremos dormir. Acorda, mãe, vai à forra e acaba com eles como o vento!
Tiamat aprovou, dizendo:
- Aprovo tal conselho: faremos monstros, e os monstros e os deuses irão marchar juntos na batalha.
Juntos eles marcharào com Tiamat, dia e noite furiosamente eles tramarão, prontos para a batalha, enquanto a Velha Bruxa, a primeira mãe, começou a geração dos monstros
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos vestidos de glória como deuses. (Quem olhasse estas coisas recebia o choque da morte, pois quando tinham estes corpos, não voltavam retrocediam).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não havia misericórdia nas armas deles, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
Tal posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes.
Ela deu a ele as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento é a última palavra! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Quando Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a Anu, em suas várias naturezas, eles confirmaram a geração de monstros.
2
Quando seus trabalhos na criação terminaram, contra seus filhos Tiamat começou a fazer os preparativos de guerra. Estas foram as más novas que chegaram até Ea.
Quando ele soube das más novas, Ea ficou prostrado, sentando-se em silêncio até encher-se de ira. Então ele lembrou-se dos outros deuses. Ele foi até Anshar, pai de seu pai, para relatar-lhe dos planos tramados por Tiamat.
- Ela nos odeia, pai, nossa mãe Tiamat levantou as hordas, ela ruge com turbulência e outros se juntaram a ela, todos os deuses a quem deste a vida.
Juntos, eles estão para marchar com Tiamat, dia e noite, furiosamente eles tramam, bradando e rugindo, prontos para batalha, enquanto que a Velha Bruxa, a primeira de todas as mães, nutre uma nova geração.
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos vestidos de glória como deuses. (Quem olhasse estas coisas recebia o choque da morte, pois quando tinham estes corpos, não voltavam retrocediam).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não havia misericórdia nas armas deles, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
Tal posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes
Ela deu a Kingu as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Portanto Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a An, em suas várias naturezas.
Quando Anshar soube de como a tempestade de Tiamat estava se levantando, ele sentiu como se lhe tivessem atingido as entranhas, e mordendo os lábios, preocupado e doente no coração, ele cobriu sua boca para aplacar palavras de preocupação e temor.
Finalmente ele falou, incentivando Ea a lutar:
Já uma vez fizeste uma armadilha de palavras; vá agora e tente [novamente]. Mataste Mummu, mataste Apsu; mate Kingu, aquele que marcha à frente de Tiamat!
O sagaz conselheiro dos deuses, Nudimud-Ea respondeu a Anshar:
[Quebra de oito linhas parcialmente reconstruídas]
Irei ao encontro de Tiamat e acalmarei seu espírito, quando o coração dela transbordar, ela irá ouvir minhas palavras, e se não forem as minhas palavras, então as tuas irão acalmar as águas.
Nudimmud tomou o caminho mais curto, indo direto a Tiamat. Mas quando ele viu toda a estratégia dela, ele retrocedeu, tremendo.
Portanto, Anshar chamou seu filho An.
Este é o verdadeiro herói, a força irresistível, um deus forte. Vai, enfrenta Tiamat e acalme seu espírito. Quando o coração de Tiamat transbordar, ela irá te ouvir, mas se ela permanecer irredutível, minha palavra irá acalmar as águas.
An tomou o caminho mais curto, indo direto a Tiamat. Mas quando ele viu toda a estratégia dela, ele retrocedeu, tremendo, para seu pai Anshar
Ele contou como viu a força de Tiamat:
"Minhas mãos são muito fracas, eu não posso conquistá-la!".
Anshar ficou estupefato; ele olhou para o chão, sentiu seus cabelos ficarem em pé. Ele balançou [vigorosamente] a cabeça para Ea e todos os Anunnaki , os deuses reunidos no palácio, todos em grande silêncio, sentados em seus lugares, calados, pensando no acontecido.
"Que outro deus pode declarar guerra a Tiamat? Ninguém mais pode olhá-la de frente e voltar."
Então o Senhor, pai de todos os deuses, levantou-se com toda majestade. Tendo tudo considerado, ele falou aos Anunnaki:
- Quem dentre nós é impetuoso na batalha? Marduk, o herói! Somente ele é forte o bastante para nos vingar.
Ea chamou então Marduk no local secreto, e deu-lhe conselhos sutis, fruto de seus pensamentos mais profundos:
- Você é o filho amado que alegra meu coração , Marduk. Quando fores até Anshar, caminhe até ele sem hesitação, como se fosses para uma batalha. Em pé, mostrando toda tua estatura, fala com ele, e daí, quando ele te vir portando-te desta forma, seu coração irá se acalmar.
Marduk exultou, e fez tal qual seu pai havia-lhe dito. Ele avançou com confiança até Anshar, e de pé, em toda sua estatura, levantou os olhos para o grande deus. Quando Anshar viu o jovem deus, seu coração transbordou de alegria, ele beijou o jovem herói nos lábios e espantou todo desespero.
- Anshar, quebra teu silêncio, que tuas palavras soem, pois vou executar o que teu coração mais deseja. Que herói já impôs batalha sobre ti? Apenas uma mulher, aquele ser feminino, apenas Tiamat te desafia com todos os seus artifícios. Logo, porém, estarás de pé sobre o pescoço de Tiamat.
- Meu filho, meu filho sábio, confunda Tiamat com palavras cheias de força, vá rápido e agora, na tempestade que é tua carruagem. Os ventos da tempestade jamais irão te abandonar em face a Tiamat, mas tendo acabado com ela, não tardes em retornar.
Marduk exultou, com espíritos elevados ele disse ao pai dos deuses:
Criador de todos os deuses, aquele que decide os destinos, se devo ser teu vingador, aquele que irá derrotar Tiamat, salvando a vida de todos os deuses, chame a Assembléia, dá-me precedência sobre todo o resto; e quando o grande Anshar se sentar para passar decretos, alegremente sentado no Ubshukinna, a Sala do Sínodo, agora e para sempre , que minha palavra seja a lei. Eu, não você, irei decidir a natureza do mundo, o que deve vir a ser. Meus decretos jamais deverão ser alterados ou anulados, mas que minha criação perdure até os fins do mundo!
3
Palavras saíram dos lábios de Anshar; ele disse a seu conselheiro Kaka:
- És o conselheiro que alegra meu coração, aquele que julga com grande verdade e sabe usar da persuasão com justiça. Vá até Lahmu e Lahamu. Estou te ordenando que vá aos fundamentos da existência, e que chames as gerações dos deuses.
Que eles falem, que eles se sentem juntos para banquetear, que eles festejem, comam e bebam licores e que todos confirmem o destino do vingador Marduk! Kaka, vá logo, e de pé, diante deles, repita o que lhe digo [agora]: Aqui fui mandado por seu filho Anshar, e fui encarregado de comunicar seus segredos a ele!,
" Ela nos odeia, nossa mãe Tiamat levantou este Exército, ela ruge com turbulência e outros se juntaram a ela, todos os deuses a quem deste a vida.
Juntos, eles estão para marchar com Tiamat, dia e noite, furiosamente eles tramam, bradando e rugindo, prontos para batalha, enquanto que a Velha Bruxa, a primeira de todas as mães, nutre uma nova geração.
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos vestidos de glória como planetas. (Quem olhasse estas coisas recebia o choque da morte, pois quando tinham estes corpos, não voltavam retrocediam).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não havia misericórdia nas armas deles, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
al posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes
Ela deu a Kingu as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Portanto Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a An, em suas várias naturezas.
Mandei An, mas ele não pode enfrentar Tiamat, Nudimmud voltou cheio de terror, então Marduk levantou-se, um jovem e sábio deus, um da linhagem sagrada, seu coração o impeliu para enfrentar Tiamat. Mas ele disse o seguinte:
Criador de todos os deuses, aquele que decide os destinos, se devo ser teu vingador, aquele que irá derrotar Tiamat, salvando a vida de todos os deuses, chame a Assembléia, dá-me precedência sobre todo o resto; e quando o grande Anshar se sentar para passar decretos, alegremente sentado no Ubshukinna, a Sala do Sínodo, agora e para sempre, que minha palavra seja a lei. Eu, não o grande Anshar, irei decidir a natureza do mundo, o que deve vir a ser. Meus decretos jamais deverão ser alterados ou anulados, mas que minha criação perdure até os fins do mundo!
Portanto, venham logo e confirmem o destino de Marduk, e o mais breve possível ele irá partir para encontrar a Grande Adversária!"
Kaka partiu, indo até Lahmu e Lahamu. Ele beijou os sedimentos primevos, ele curvou-se até o chão e entregou a seguinte mensagem aos antigos deuses:
Fui mandado vir aqui por seu filho Anu, encarregado de lhes contar seus pensamentos mais secretos:
" Ela nos odeia, nossa mãe Tiamat levantou as hordas, ela ruge com turbulência e outros se juntaram a ela, todos os deuses a quem deste a vida.
Juntos, eles estão para marchar com Tiamat, dia e noite, furiosamente eles tramam, bradando e rugindo, prontos para batalha, enquanto que a Velha Bruxa, a primeira de todas as mães, nutre uma nova geração.
Ela soltou o vento irresistível, ela gerou serpentes enormes com mandíbulas afiadas, cheios de veneno ao invés de sangue, dragões ruidosos que vestem sua glória como deuses. (Quem olhasse tais criaturas recebia o choque da morte).
- Ela criou a Minhoca,
o Dragão
o Monstro Mulher
o Grande Leão
o Cachorro Louco
o Homem (e Mulher) Escorpião
a Tempestade Ruidosa
Kulili
Kusariqu
Não há misericórdia nestas armas, eles não fogem da batalha, pois a lei de Tiamat os une, irrevogável.
Onze destes monstros ela criou, entretanto, tomando dentre os deuses o trabalhador desastrado
KINGU
Um dos da primeira geração para ser seu Capitão, Líder de Guerra, Líder da Assembléia, o organizador dos suprimentos para liderar a vanguarda da batalha
Tal posto ela deu a Kingu quando criou a companhia, dizendo:
- Agora está em tuas mãos. Meu encanto irá mantê-los unidos, eles devem obedecer à minha vontade. És supremo, meu marido sem igual, tua palavra irá segurar as hordas rebeldes.
Ela deu a Kingu as Tábuas do Destino e amarrou-as no peito dele:
- Agora e para sempre tua palavra é irrevogável, teu julgamento, duradouro! Eles irão apagar o fogo e a clava vai perder sua força!
Portanto Kingu recebeu tal autoridade, que anteriormente pertencia a An, em suas várias naturezas.
Mandei An, mas ele não pode enfrentar Tiamat, Nudimmud voltou cheio de terror, então Marduk levantou-se, um jovem e sábio deus, um da linhagem sagrada, seu coração o impeliu para enfrentar Tiamat. Mas ele disse o seguinte:
Criador de todos os deuses, aquele que decide os destinos, se devo ser teu vingador, aquele que irá derrotar Tiamat, salvando a vida de todos os deuses, chame a Assembléia, dá-me precedência sobre todo o resto; e quando o grande Anshar se sentar para passar decretos, alegremente sentado no Ubshukinna, a Sala do Sínodo, agora e para sempre, que minha palavra seja a lei. Eu, não o grande Anshar, irei decidir a natureza do mundo, o que deve vir a ser. Meus decretos jamais deverão ser alterados ou anulados, mas que minha criação perdure até o final dos tempos e os confins do mundo!
Portanto, venham logo e confirmem o destino de Marduk, e o mais breve possível ele irá partir para encontrar a Grande Adversária!"
Quando Lahmu e Lahamu ouviram isto, eles se preocuparam, e todos os deuses fizeram gemidos de preocupação.
Que estranha e terrível decisão, os desígnios de Tiamat são profundos demais para nós entendermos.
Então eles se prepararam para a jornada, todos os deuses que determinam a natureza do mundo e das coisas que virão a ser vieram a pedido de Anshar, encheram o Ubshukinna, cumprimentaram-se uns aos outros com um beijo.
Na Sala do Sínodo as vozes ancestrais foram ouvidas, eles se sentaram no banquete, eles comeram e festejavam com iguarias e licores mais deliciosos.
Suas almas se expandiram, seus corpos ficaram pesados e sonolentos, e este era o estado dos deuses quando eles estabeleceram o destino de Marduk.
4
Foi feito um trono para Marduk, e ele ali se sentou, face a face com seus ancestrais para receber o governo.
- Um deus é maior do que todos os outros deuses,
de fama mais justa, cuja palavra de comando, é a palavra dos céus, oh Marduk, o maior de todos os grandes deuses, honra e fama, vontade de Anu, grande no comando, palavra eterna e inalterada!
Onde houver ação, Marduk é o primeiro a agir,
Onde houver governo, Marduk é o primeiro a governar, para dar glória a uns, para humilhar outros, a prerrogativa do deus, Verdade absoluta, vontade sem limite, que deus ousará questioná-lo? Nos seus locais mais lindos destes mesmos deuses, um lugar é sempre guardado para Marduk, nosso vingador.
Nós te chamamos aqui para receber o cetro, para fazer de ti rei de todo o universo. Quando te sentares no Sínodo, serás o árbitro; na batalha, tuas armas esmagarão o inimigo.
- Deus, salva a vida de qualquer deus que se voltar para ti; mas para aqueles deuses que apreenderem o mal, que a vida destes deuses lhes seja tirada.'
Os deuses ancestrais conjuraram então um tipo de aparição na frente deles, fazendo com que este ser aparecesse frente a Marduk, para dizer ao jovem deus, o primogênito:
- Deus, tua palavra entre os deuses arbitra, destrói e cria; fale então e esta aparição irá desaparecer. Fale novamente, e a aparição irá reaparecer.
Ele falou e a aparição desapareceu. Novamente ele falou, e a aparição reapareceu. Quando os deuses deram-se satisfeitos por Marduk Ter provado a força de sua palavra, os deuses ancestrais abençoaram-no e bradaram:
- MARDUK É REI!
Os deuses ancestrais vestiram Marduk com as vestimentas reais, o cetro e o trono a ele foram dados, bem como armas de guerra sem igual como um escudo contra adversários.
Parta agora. Tire a vida de Tiamat, e que os ventos carreguem seu sangue até os limites mais secretos do mundo!
Os antigos deuses mostraram a Bel o que ele teria de ser e o que deveria fazer, sempre através da conquista, sempre através de [grandes] vitórias;
Então Marduk fez uma reverência e para marcar aquela que seria sua arma, sua e somente sua, ele colocou uma flecha contra o arco, na mão direita e segurou a clava e levantou-a para o alto, arco e flecha pendurados ao ombro, sendo que relâmpagos se projetavam à sua frente, ele mesmo tornando-se numa figura incandescente.
Ele fez uma rede, uma isca para Tiamat; os ventos, em suas posições nas quatro direções, seguraram tal rede, o vento sul, o vento norte, o vento leste e o vento oeste, de forma que parte alguma de Tiamat pudesse escapar.
Com a rede, o presente de Anu, ao lado, ele se ergueu.
IMHULLU
O vento atroz, a tempestade, o redemoinho, o furacão, o vento dos quatro, o vento dos sete, e o túmido, o pior de todos.
Todos os sete ventos foram criados e liberados para assaltar as entranhas de Tiamat. Os ventos se postaram atrás de Marduk. Então o tornado
ABUBA
Seu último grande aliado, o sinal para para o assalto, ele levantou.
Marduk montou na tempestade, sua carruagem terrível, tomou as rédeas, em suas mãos uma parelha de quatro terríveis, afiados dentes venenosos, o Matador, o Impiedoso, Marchador, Rápido, eles sabiam artes de pilhagem, habilidades de assassinos.
Ele colocou à sua direita o Batedor, o melhor em fazer confusões; à sua esquerda esta a Fúria da Batalha, que aniquila o mais bravo; adornou sua armadura com terror, uma auréola de espanto; com uma palavra mágica murmurada entre dentes, uma planta que cura foi pressionada na palma de sua mão. Assim armado, ele partiu.
Ele seguiu na direção do som crescente da ira de Tiamat, com todos os deuses a seu lado, e os pais de todos os deuses. Desta forma, Marduk se aproximou de Tiamat.
Ele a observou examinando as profundezas, ele testou o plano de Kingu, o consorte de Tiamat, mas assim que Kingu viu o jovem deus, ele começou a tremer, começou a sentir medo, e ao ver os deuses que enchiam as fileiras atrás de Marduk, quando Kingu viu o bravo jovem deus, seus olhos repentinamente se anuviaram.
Mas Tiamat, sem virar seu pescoço, cuspiu em desafio:
Arrogante, pensas que és o maioral? Eles estão saindo agora de seus esconderijos por você?
Então o senhor levantou um furacão, a grande arma que ele lançou com palavras e terrível fúria:
- Por que estás te insurgindo, teu orgulho criando um abismo, teu coração escolhendo facções, para que teus filhos rejeitem seus pais? Mãe de todos nós, por que tens de ser a mãe da guerra?
Fizeste de Kingu, aquele inepto, teu esposo! Deste a ele a posição de Anu, não que ele merecesse, porém. Tens abusado dos deuses, meus ancestrais, em amarga malevolência ameaças Anshar, o rei de todos os deuses. Tens incentivado as forças para batalha, preparado as armas de guerra. Levante-se, portanto, sozinha, e lutaremos contra ti, e eu somente contigo irei lutar.
Quando Tiamat ouviu Marduk, com seus nervos à flor da pele, ela ficou enraivecida e gritou para o alto, suas pernas estremeceram, ela começou a fazer encantos e maldições, enquanto que os deuses da guerra afiavam as suas armas.
Então eles encontraram Marduk, o mais arguto dos deuses, e Tiamat engalfinhou-se com ele num combate corpo a corpo.
Marduk lançou sua rede para prender Tiamat, e o implacável vento Imhullu veio por trás e bateu na face de Tiamat. Quando ela abriu a boca para engolir Marduk, o jovem deus empurrou Inhullu para dentro dela, de modo que a boca não se fechasse e que o vento rugisse na barriga da mãe original de todos os deuses, para que sua carcassa explodisse, entumecida. Tiamat escancarou sua boca, e então Marduk disparou a flecha que lhe cortou as entranhas, que atingiu seu estômago e útero da criação.
Agora que Marduk havia conquistado Tiamat, ele terminou com a vida dela. Ele atirou-a ao chão, subindo em sua carcassa. A líder da insurreição estava morta, seu corpo despedaçado, seu bando disperso.
Aqueles deuses que haviam marchado ao lado dela agora estavam cheios de terror. Para salvar suas próprias vidas, se pudessem , voltaram suas costas ao perigo. Mas então eles foram rodeados num círculo, do qual não podiam escapar.
Marduk esmagou as armas dos deuses rebeldes, e jogou-as com eles na sua rede. Lá, os deuses rebeldes choraram e se esconderam pelos cantos, sofrendo a ira de Marduk.
Aqueles que resistiram, foram colocados em grilhões, que continham onze monstros, estes monstros os filhos malditos de Tiamat, com todos os seus armamentos assassinos. O bando demoníaco da grande deusa que havia marchado à frente dela, Marduk levou ao solo, de joelhos.
Mas Kingu, o usurpador, o chefe de todos eles, Marduk prendeu e o matou, tomando as Tábuas do Destino, usurpadas sem direito por Kingu, e selando-as com seu selo, Marduk colocou-as em seu peito.
Quando tudo isto tinha sido feito, os adversários derrotados, o inimigo orgulhoso humilhado, quando o triunfo de Anshar havia sido alcançado sobre o inimigo, e a vontade de Nudimmud satisfeita, então o bravo Marduk apertou as cordas dos prisioneiros.
Ele voltou para onde Tiamat jazia acorrentada, ele abriu as pernas da deusa e espatifou seu crânio (pois a clava não tinha misericórdia), ele cortou as artérias e o sangue dela jorrou na direção do Vento Norte para os confins desconhecidos do Mundo Físico.
Quando os deuses viram tudo isto, eles riram alto e mandaram presentes a Marduk. Eles mandaram ao jovem herói tributos agradecidos.
O jovem deus descansou. Ele olhou para o corpo amplo de Tiamat, ponderando sobre como usá-lo, o que criar da carcassa morta. Ele abriu o corpo de Tiamat em dois, com a primeira metade, a superior, ele construiu o arco dos céus, ele empurrou para baixo uma barra e fez uma sentinela para as águas, de forma que estas jamais pudessem escapar.
Ele cruzou o céu para conhecer a distância infinita; ele colocou-se a si mesmo sobre o Abzu, o mesmo Abzu construído por Nudimmud sobre o velho abismo que agora ele navegava, medindo-o e mapeando- o .
Ele estendeu a imensidão do firmamento, ele fez Esharra, o Grande Palácio, à sua imagem terrena, e Anu, Enlil e Ea tiveram seus caminhos certos.
5
Ele projetou posições para os grandes deuses sempre presentes nos céus, ele deu a eles um aspecto estelar como constelações; ele mediu o ano, dando a este começo e fim, e para cada mês do total de doze, ele assinalou três estrelas ascendentes.
Quando ele havia marcado os limites do ano, ele deu aos deuses e a todos nós Nibiru, o polo do universo, para manter o curso das estrelas, para que erro algum pudesse ocorrer ao longo de todo firmamento. Para os caminhos de Ea e Enlil, ele estabeleceu um paralelo.
Das costelas de Tiamat, ele abriu os portais do Leste e do Oeste, e colocou ferrolhos na direita e na esquerda, e alto sobre o ventre de Tiamat ele determinou o zênite.
Ele deu à lua o lustro de uma jóia, ele deu à lua toda noite para marcar os dias, para zelar durante a noite de cada mês o círculo da luz crescente e decrescente.
Lua Nova, quando apareces no mundo, seis dias teus chifres são crescentes, até o meio círculo do sétimo dia, crescendo ainda fase após fase, divides o mês de lua cheia a lua cheia. Então começas a desaparecer e aos trinta dias o ciclo começa novamente, sempre crescendo e decrescendo, para sempre.
Este é teu emblema e a estrada celeste que percorres, e quando te aproximas do sol, ambos falam com justiça e julgamento acima de todas as corrupções.
[Algumas linhas estão faltando aqui]
Após Ter posto a lua, Marduk voltou-se para o sol e fê-lo completar um ciclo deste até o próximo Ano Novo.
...Ele deu a ele o Portal do Leste, e os confins da noite com o dia, ele deu a Shamash.
Então Marduk considerou Tiamat. Ele tocou na espuma do mar salgado, elevou-a até as nuvens, a rotação da água e dos ventos e das nuvens de chuva, a saliva de Tiamat.
Com suas próprias saídas da névoa de vapor, ele espalhou as nuvens. Ele pressionou com força a cabeça das águas, fazendo com que montanhas se assentassem sobre estas, abrindo rios para que corressem. O Eufrates e o Tigre ergueram-se dos olhos de Tiamat, mas ele fechou o nariz dela, para dominar a nascente do rio.
Ele fez grandes montanhas, e nelas fez surgir poços para canalizar as águas das fontes mais profundas; no alto, ele fez um arco com a cauda de Tiamat, prendendo as rodas do céu; nas profundezas sob os pés de Marduk, ele pôs o fulcro do firmamento. Agora a terra tinha as suas fundações, e o céu, o seu manto.
Quando o trabalho do deus tinha acabado, quando ele terminou tudo a que se propôs, então na terra ele fundou templos, e entregou-os todos a Ea.
Mas as Tábuas do Destino foram tiradas de Kingu e devolvidas como um primeiro cumprimento a Anu. Os deuses que desistiram da luta, ele os fez comparecer à sua presença, o pai dos deuses.
Com as armas de guerra quebradas, ele prendeu a seus pés as onze monstruosas criações de Tiamat. Ele criou seres semelhantes a estas criaturas monstruosas para que ficassem de pé, nas portas do abismo, o Portal do Apsu, dizendo:
- Isto é para lembrar que Tiamat não deve ser esquecida!
Todas as gerações dos Grandes deuses ficaram cheias de alegria ao ver Marduk, com Lahmu e Lahamu; seus corações unidos quando se aproximaram para encontrar Marduk.
O Rei Anshar deu a Marduk as boas-vindas com cerimônia, Anu e Enlil vieram carregando presentes, mas quando Marduk recebeu o presente de sua mãe Damkina, então a face do jovem deus brilhou, sua face se iluminou com brilho incandescente.
Ele deu a Usmu, servo de Damkina, aquele que lhe trouxe os cumprimentos, a tarefa de zelar pela casa secreta do Apsu, ele fez de Usmu o guardião dos santuários de Eridu.
Todos os deuses dos céus estavam lá, todos os Igigi caíram de joelhos frente a Marduk, todos os que estavam lá e apoiavam os Anunaki beijaram os pés do jovem deus. Todos os deuses se juntaram em reverência.
Eles se postaram frente a Marduk, fazendo uma grande reverência, bradando em uníssono:
- Ele é mesmo rei!
Quando todos os deuses de todas as gerações estavam altos com o glamur da masculinidade de Marduk, quando eles viram suas roupas com a poeira da batalha, então eles fizeram seu ato de obediência....
Ele se banhou, colocou roupas limpas, pois agora era o rei de todos os deuses. Glória circundava sua cabeça; na sua mão direita, ele segurava a clava da guerra, na sua mão esquerda ele segurava o cetro da paz, seu arco estava preso às suas costas, ele segurava a rede, e sua glória tocava as profundezas. ...
Ele subiu ao trono erguido no templo. Damkina e Ea e todos os Grandes deuses, todos os Igigi bradaram:
- No passado, Marduk significava apenas o filho bem-amado, mas agora ele é em verdade o Rei, ele é deveras Rei!
Os deuses bradaram a uma só voz:
GRANDE SENHOR DO UNIVERSO! Este é seu nome, nele nós confiamos!
Quando tal ato foi executado, quando os deuses fizeram de Marduk seu rei, eles desejaram paz e felicidade ao jovem escolhido:
- Sobre nossas casas, manterás vigília sem cessar, e tudo o que desejares de nós, será feito.
Marduk pensou a respeito destas palavras, e então falou aos deuses reunidos em sua presença. Isto foi o que ele lhes disse:
- No passado, todos habitavam no vazio acima do abismo, mas eu fiz a Terra como um espelho dos Céus, eu consolidei o solo para as fundações, e lá eu irei construir minha cidade, meu lar adorado
Um local sagrado deve ser estabelecido, com salas consagradas à presença do rei. Quando todos vocês vierem das grandes profundezas para se juntarem ao Sínodo, todos encontrarão guarida e conforto para dormir à noite. ]
Quando os deuses das alturas descerem até a assembléia, todos os deuses das alturas também encontrarão guarida e conforto para dormir à noite. Este lar será a BABILÔNIA!
O LAR DOS DEUSES. Os mestres de todas as artes deverão construir minha cidade de acordo com meu plano.
Quando os deuses mais velhos ouviram este discurso, eles sentiram que tinham de fazer uma pergunta:
- Acima de tudo o que criaste com tuas próprias mãos, quem irá administrar a lei? Acima de tudo o que existe na terra que criaste, quem irá sentar para emitir julgamentos?
Deste à tua Babilônia um nome auspicioso, que ela seja para sempre o nosso lar! Que os deuses nos sirvam dia após dia, e que à medida em que nós a ti dermos força e poder, que ninguém usurpe nossas posições!
Marduk, o conquistador de Tiamat, ficou satisfeito; a barganha era boa; ele continuou falando com palavras arrogantes, explicando tudo aos deuses:
- Eles irão prestar este serviço, e dia após dia, todos vocês irão dar força à minha vontade, para que esta seja lei.
Então os deuses adoraram frente a ele, e para ele novamente, para o rei de todo universo, eles bradaram a uma só voz:
- Este grande senhor foi outrora nosso filho, agora ele é nosso rei. Invocaremos seu nome uma vez por cada vida, ele que é o senhor, a chama de luz, o cetro da paz e a clava da guerra.
- Que Ea seja seu arquiteto e que ele faça uma planta de excelência para Babilônia, e seus construtores seremos nós!
6
Agora que Marduk havia escutado o que os deuses haviam dito, surgiu dentro dele o desejo de criar um trabalho da mais completa de todas as artes. Ele contou para Ea os pensamentos profundos que estavam em seu coração.
- Sangue com sangue,
Eu junto,
sangue a osso,
Eu formo
Algo original,
seu nome é HUMANIDADE,
e a humanidade original
é minha criação.
- Todas as suas ocupações serão o serviço fiel,
os deuses terão seu descanso,
e eu sutilmente alterarei suas operações,
dividindo companhias, igualmente abençoadas.
Ea respondeu com palavras cuidadosamente escolhidas, completando o plano para o conforto dos deuses. Ele disse a Marduk:
- Que apenas um(a) da raça seja levado, apenas um(a) precisa morrer para a nova criação. Reúna os deuses na Grande Assembléia, e que apenas um morra, para que o restante possa viver.
Marduk chamou os Grandes deuses ao Sínodo, ele presidiu a assembléia com cortesia, ele deu instruções a todos eles, que o escutaram com grave atenção.
O rei falou aos deuses rebeldes:
- Declarem, sob juramento, que falarão a verdade e respondam: quem instigou a rebelião? Quem despertou Tiamat? Quem liderou a batalha? Que o instigador da guerra seja entregue, que seja considerado culpado e receba punição, e que a paz reine entre vocês para sempre.
Os Grandes deuses responderam ao Senhor do Universo, rei e conselheiro dos deuses:
Foi Kingu quem instigou a rebelião, ele revoltou as águas da amargura e liderou a batalha por ela.
Eles declararam Kingu culpado, eles o prenderam e o fizeram se ajoelhar frente a Ea, eles cortaram suas artérias e do sangue de Kingu eles criaram os homens e mulheres. Ea impôs a Kingu sua servidão.
Quando isto foi feito, quando Ea em sua sabedoria criou os homens e as mulheres e o dever de tais homens e mulheres, este ato além de [toda] compreensão, esta maravilha de sutileza concebida por Marduk e executada por Nudimmud
Então Marduk, como rei, dividiu os deuses, uma parte para os céus e outra parte para as alturas: 300 deles nas alturas para zelar pelos céus, os zeladores da lei de Anu, e cinco vezes sessenta para a terra, seiscentos deuses entre o céu e a terra.
Quando a lei universal foi estabelecida, e aos deuses alocados seus domínios, então os Anunaki, os deuses da terra, os deuses que haviam sido derrotados, dirigiram-se a Marduk:
Agora que nos libertaste e fizeste menor nossa carga de trabalho, como devemos retribuir tal graça? Que construamos um templo e que o chamemos O ALBERGUE DO DESCANSO DA NOITE
Lá onde todos iremos dormir uma estação do ano, no Grande Festival, quando todos reunidos em Assembléia, iremos construir altares para ti, iremos construir Parakku, o Santuário.
Quando Marduk escutou [tais palavras] sua face brilhou como a luz do dia:
O zigurate deve ser construído de acordo com os desejos de todos vocês, os tijolos deverão ser colocados em seus moldes e chama-la-emos de Parakku, o Santuário.
Os deuses Anunnaki pegaram suas ferramentas, e levaram um ano inteiro para moldar os tijolos [necessários]; no segundo ano, eles levantaram o ESAGILA, o templo da terra, o símbolo do céu infinito.
Dentro, havia quartos para Marduk e Enlil e Ea. Com toda majestade, Marduk tomou seu lugar na presença deles todos, onde o topo do zigurate erguia-se por sobre a base.
Quando a construção do templo terminou, os Anunnaki construíram capelas para si; então todos se reuniram, e Marduk ofereceu a todos um banquete.
Esta é Babilônia, a cidade querida dos deuses, teu amado lar! Em comprimento e amplidão, ela é nossa, nós a possuímos, alegra-te com ela, pois ela é tua!
Quando todos os deuses se sentaram, houve vinho, festa e risos, e depois do banquete no lindo Esagila eles executaram a liturgia, os ritos sagrados, a partir dos quais o universo recebe sua estrutura, onde o oculto é trazido às claras, [pois é] através do universo que aos deuses são atribuídos os seus caminhos.
Quando os 50 Grandes deuses se sentaram com os Sete que planejam a natureza imutável das coisas, eles levaram os trezentos até o firmamento. Lá também foi que Enlil levantou o arco de Marduk, colocando-o frente aos deuses.
Ele também ergueu a rede; os deuses elogiaram o trabalho da rede ao verem o quão artesanal era ela, os deuses elogiaram a beleza do arco.
Anu levantou o arco, beijou-o e disse para os deuses:
Este arco vem de mim, e dou a ele um nome sagrado:
O primeiro nome é Longo Bastão, o segundo é para Bastão da Chuva, o terceiro é Bastão das Estrelas que brilham nos céus.
E o Bastão das Estrelas transformou-se num deus entre os deuses.
Quando Anu acabou de pronunciar o destino triplo do arco, ele ergueu o trono do rei e colocou Marduk em cima deste na Assembléia dos deuses.
Dentre eles, surgiu um brado, pelo óleo e pela água, pinçando suas gargantas, para ligar o destino na dor da morte, eles ratificaram a autoridade de Marduk como Rei dos Reis, Senhor dos Senhores do Universo. Anshar deu graças à Marduk, chamando-o de ASARLUHI, o nome que é o primeiro, o mais alto.
- Esperaremos e escutaremos, reverenciaremos e adoraremos o nome dele!
A palavra dele é o último apelo, a vontade escrita dele tem amplo domínio no ponto mais alto e no ponto mais baixo. Toda glória seja dada ao filho, nosso vingador! Seu império não tem fim, pastor dos homens e mulheres,
ele fez da humanidade suas criaturas até o final dos tempos, [e deste fato a humanidade] jamais irá se esquecer!
Ele deve comandar as hecatombes, para os deuses,
[A humanidade] deve encomendar alimentos para os pais e mães.
E adorar no santuário,
onde o odor do incenso e o murmúrio da liturgia
ecoam na terra os costumes do céu.
Os homens e mulheres de cabelos escuros irão adorá-lo na terra,
os que lhe foram sujeitos irão lembrar seu deus,
à cuja palavra eles deverão adorar a deus.
Que as oferendas de alimento jamais faltem para o deus e a deusa, este é o comando dele.
Que os homens e mulheres sirvam aos deuses, este é o comando do deus, que os homens e mulheres trabalhem suas terras, construam suas.
Que os homens e mulheres de cabelos escuros sirvam os deuses na terra sem remissão, enquanto que para nós, na multitude de seus nomes,
Ele é nosso deus.
Saudemos a ele com seus nomes,
Que o saudemos com seus 50 nomes, o deus único.
Fonte:
http://www.sigghil.com/
O HINO DOS 50 NOMES DE MARDUK
MARDUK é o Primeiro,
Ele é o Filho do Sol,
Ele é o primeiro, aquele que tem o brilho do sol.
Pastagem e lago,
estábulos cheios,
torrentes de chuva que caem sobre o inimigo
Ele é o mais brilhante,
Filho do Sol,
os deuses sempre caminham na chama de sua luz.
Ele criou o homem (e a mulher)
seres vivos,
para trabalhar para sempre, e liberar os deuses de outras tarefas,
Para fazer e desfazer,
Amar e salvar,
A Marduk, todo poder e a glória!
MARUKKA é Dois
aquele que bate o martelo de toda criação
para trazer alívio aos deuses em conflito
MARUTUKKU é Três,
gestos de graça em seu nome são feitos por cada mão,
o jovem armado e escudo da terra.
BARASHAKUSHU é Quatro,
aquele que levantou-se na hora da necessidade para selar a terra,
e cujo espírito é indomável e cujo coração é amor.
LUGALDIMMERANKIA é Cinco,
Rei do Cosmo!
Em todo universo Ele é aclamado
pela Grande Companhia que sua ira fez encolher
deus todo poderoso!
NARI é Seis, aquele que tudo Libera,
Ele é nossa consciência, pois quando haviam problemas,
Ele nos trouxe a paz
Deu-nos um porto seguro;
Anunaki, Igigi, das profundezas e das alturas
ao ouvir seu nome tremem em segredo.
ASARULUDU é Sete,
o Grande Mago, título este que vem de Anu,
na hora do perigo, o bom líder dos deuses, pelo duelo mortal que enfrentou para trazer a paz
NAMTILLAKU é Oito,
na sombra da morte ele descobriu a vida,
como se tudo o que tinha sido feito tivesse sido recriado novamente,
conjurado da morte à palavra dele, até o inimigo submeter-se à sua vontade.
NAMRU é Nove, os deuses caminham na fornalha de sua beleza. .
Vozes de tempos passados haviam falado: Lahmu, Lahamu, Anshar haviam falado, cada um deles tendo dito três nomes. Eles disseram então a seus filhos:
- Três nomes ele recebeu de cada um de nós, três nomes ele precisa receber de vocês.
Como fora uma vez no sínodo de Ubshukinna, no local das decisões, os jovens deuses ansiosamente falaram todos juntos:
Ele é o herói, nosso filho, nosso vingador, daremos glória ao nome de nosso defensor!
Eles se sentaram juntos para moldar o destino de Marduk, e todos os deuses cantaram o nome de seu jovem campeão no santuário.
7
O hino continuou:
ASARU cultiva o que foi plantado,
conduz a água através de pequenos canais
para o tempo da semeadura, o tempo do crescimento e da colheita dos grãos.
Ele é ASARUALIM, a quem os deuses com receio e esperança se voltam quando do Conselho.
Ele é a luz, ASARUALIM NUNNA,
luz da glória de seu pai,
Ele é a lei de Anu, de Enlil e Ea,
Ele é compleitude e abundância,
os deuses engordam com seus dons.
Como Tutu ele é a vida que se renova,
que traz doçuras ao santuário, caso a ira uma vez mais tome conta de todos.
Ele a todos ensina a repetir o encantamento que convida ao sono,
Como ele, não tem igual na assembléia.
Como ZIUKKINNA ele vive em cada deus,
ele fez os céus para a felicidade dos deuses,
ele mantém os deuses felizes na imensidade dos céus;
abaixo das nuvens, homens obtusos lembram dele,
Pois ele é ZIKU, o grão da vida,
doce respiração de graça, abundância,
benevolência, indescritível riqueza,
que transforma a fome na fartura;
que respira sua doçura nos quadrantes [em que vivemos].
Falaremos dele, o poderoso, cantaremos a canção de sua glória.
Ele é AGAKU, o amor e a ira,
com palavras vivazes ele apressa a morte,
ele teve pena dos deuses,
ele diminuiu os labores que caíam sobre os adversários.
Para o alívio dos deuses, ele criou a humanidade, suas palavras irão perdurar. Ele é bom, ele tem o poder da vida, seu nome e seu poder está nas bocas dos homens e mulheres de cabelos negros que se lembram dele.
Mas ele também é TUKU,
e todos pronunciam suas anátemas,
que derrotam o mal com palavras misteriosas.
Como SHAZU ele fez o coração, que vê o âmago de tudo,
Ele vê a medula,
nenhum pecador escapa de seu escrutínio.
Ele formou a Assembléia e espalhou sua proteção,
Ele vê a aplicação da justiça, acabando com rebeliões,
Ele termina com a malícia, pois onde ele vai,
o certo e o errado estão separados.
Como aquele que lê o coração, ele também é
ZISI, um nome que fez sair as hordas rebeldes
do coração dos antigos deuses, levados embora por medo paralisante,
para liberar os deuses ancestrais, seus pais.
SUHRIM é [também seu nome] o raio que extinguiu a rebelião,
a mão abjeta treme frente a ele,
seus esquemas previstos, desaparecendo no vento,
Para a alegria, alegria dos deuses!
Ele é SUHGURIM aquele que pode [tudo] destruir,
mas que também na corte aberta ouve todas as causas;
os antigos deuses criaram novos, os inimigos aniquilados, para que para os filhos dos filhos nada deles reste, ou do que fizeram os inimigos. É o nome sagrado do deus, somente e somente este, que responde aos clamores do mundo.
Ele é ZAHRIM, o destruidor!
Iniquidade é morte, ele achou o inimigo quando os deuses fugiram,
ele trouxe os deuses de volta para casa, e todos por seu próprio nome são conhecidos.
Ele é também ZAHGURIM, destruidor-salvador,
título terrível, ante ao qual seu inimigo cái, como se estivesse no campo de batalha.
Ele é ENBILULU, saúde e riqueza dos deuses,
Ele chamou os nomes dos deuses, ele chamou os astronautas, e as hecatombes [à sua voz] desaparecem em chamas,
Ele planejou as pastagens, aprofundou os poços e liberou as águas
Ele é EPADUN, a umidade do céu e da terra que lava os campos,
irrigando as terras aráveis através de barragens e diques para irrigação
Enbilulu é cantado como GUGAL,
nos pomares dos deuses,
ele cuida dos canais, ele enche os galpões com sésamo e grãos em abundância.
E Ele é HEGAL,
acumulando riquezas para todos,
no mundo, ele faz cair a chuva doce, e descer o verde por sobre a terra..
Como SIRSIR ele pegou a carcassa,
Ele levou o Caos [Tiamat] enredado na sua isca,
fazendo erguer sobre ela as montanhas.
Aquele que zela pelo mundo, pastor fiel,
onde seu cenho se ergue,
como [que acirrados por um] choque os cabelos de milho se levantam;
onde o vasto oceano se levanta em ira,
ele faz surgir pontes sobre os locais onde parece haver luta.
Ele é também chamado MALAH, por muitos;
o mar salgado é seu barco, e ele lidera a sua proa.
Ele é a pilha de grãos, cevada e sésamo, que é distribuída para o bem da terra.
Ele é GILMA, o fogo que jamais se apaga, que tempera a eternidade em sua existência, e que por segurança mantém o equilíbrio [da chama] tal qual a corda segurando um barril.
Ele é AGILMA,
que das superfícies que se abrem cria as nuvens por sobre as águas para guardar o firmamento imutável
Ele é ZULUM, aquele que molda o barro,
distribui os acres, a terra para ser arada.
Este é MUMMU, a palavra criativa,
a vida do universo.
Ele é GISHNUMUNAB, a semente, que criou as raças humanas de todos os quadrantes do mundo.
Dos restos da derrota de Tiamat,
dos restos dos deuses,
ele criou a humanidade.
Ele é LUGALABDUBUR
aquele que veio como um rei para enfrentar o Caos,
Caos cujas forças se esvaneceram frente aquele que é firme, e cujas forças são igualmente firmes em todas as direções.
Ele é PAPALGUENNA, Senhor de todos os Senhores,
deus mais sublime, que governa seus irmãos e irmãs.
Ele é LUGALDURMAH, no umbigo do mundo,
onde o céu e a terra são mantidos pela corda,
onde os deuses das alturas se reúnem, sua grandeza é a maior de todos.
Ele é ARANUNNA, o conselheiro, com seu pai EA
sem igual em seus modos soberanos,
ele criou os deuses.
Ele é DUMUDUKU, a montanha brilhante,
Dumuduku, a presença no templo,
o local das decisões, onde nada se decide sem ele [estar presente].
Ele é LUGALLANNA, o forte,
aquele que carrega o firmamento,
sempre presente entre os deuses
mais do que Anshar que o chamou, e o escolheu dentre todos.
Ele é LUGALUGGA, o rei da Morte!
Ele toma conta de todas as crises, na hora mais difícil, com grande intelecto, e mente de longo alcance.
Ele é IRKINGU, pois na fúria da batalha ele espantou o caos,
Ele criou a lei e a lei agora domina a criação.
Ele é KINMA, conselheiro e líder,
seu nome traz terror aos deuses,
o rugido do tornado.
Ele é ESIZKUR, e no alto ele se senta,
na capela das preces, no Grande Festival, quando vêm todos os deuses, são dados presentes, e deveres impostos. Se não fosse por Ele, nada teria sido criado de belo ou sutil. Ele criou os homens e mulheres, ele fez os limites do mundo, e sem ele, os deuses não saberiam os tempos.
Ele é GIBIL, a fornalha na qual o ponto é temperado,
onde são forjados os raios, as armas de guerra contra Tiamat;
os deuses jamais poderão alcançar os limites da mente de Gibil.
Seu nome também é ADDU,
o tempo úmido e a tempestade que vem na hora certa,
o bem-vindo soar do trovão por sobre a terra.
Depois da tempestade as nuvens se abrem ante a palavra de Addu,
e as pessoas na terra diariamente comem seu pão com as bênçãos dele.
ASHARU guia os deuses do Destino;
ele zela por todos os outros deuses.
Como NIBIRU ele projetou as estrelas na sua órbita,
os deuses itinerantes obedecem as leis de passagem.
Nibiru, no centro, parado,
é o deus a quem eles adoram;
e de Nibiru, aquele que é cheio de estrelas, eles dizem:
- Aquele que uma vez cruzou o firmamento sem descansar
Agora é o ponto mais importante do universo,
e todos os deuses mantém seus cursos baseados nele;
Ele reúne os deuses como quem reúne um rebanho,
Ele, o conquistador de Tiamat.
Que a vida dela seja breve e curta, que ela se retire para o futuro
distante da humanidade, até que o tempo envelhece, mantendo-a ausente para todo o sempre
Porque ele moldou a matéria e criou o éter, seu pai deu-lhe o nome de
Bel Matati, deus deste Mundo.
Com seu próprio nome Anu pôs sua marca Marduk quando os deuses do firmamento acabaram o hino.
Agora também Ea, tendo tudo ouvido, regozijou-se:
- Os grandes deuses glorificaram meu filho, Ele é Ea, dotado de nomes do meu próprio nome, ele ira executar minha vontade e dirigir meus rituais.
HANSHA!
Com 50 nomes os deuses o proclamaram
HANSHA!
Com 50 nomes eles chamaram àquele que é o primeiro dentre os primeiros e o que mais de todos se destaca.
Epílogo
Lembrem dos títulos de Marduk!
Governantes irão recitá-los, sábios irão fazer debates a respeito deles, pais os repetirão para os filhos, e mesmo os pastores deles terão conhecimento.
Que todos se alegrem na glória de Marduk, o príncipe dos deuses! Homens e mulheres e a terra irão prosperar, pois forte é seu Domínio, firmes são seus comandos, deus algum pode alterar a vontade de Marduk, e onde os olhos dos grandes deuses se fixarem, somente o bom, o justo e o certo lá Terá lugar.
Deus algum pode suportar sua ira, o intelecto de Marduk é vasto, bem como sua benevolência, mas pecadores e outros desta laia ele irá fazer desaparecer com a sua presença; mas o sábio professor cujas palavras escutamos, e que escreveu tais palavras que ora ouvimos, Marduk o poupou para os tempos vindouros. Que os Igigi construam seu templo, que os deuses falem que esta é a canção de Marduk, que derrotou Tiamat e obteve soberania.
Fonte:
http://www.sigghil.com/
Ele é o Filho do Sol,
Ele é o primeiro, aquele que tem o brilho do sol.
Pastagem e lago,
estábulos cheios,
torrentes de chuva que caem sobre o inimigo
Ele é o mais brilhante,
Filho do Sol,
os deuses sempre caminham na chama de sua luz.
Ele criou o homem (e a mulher)
seres vivos,
para trabalhar para sempre, e liberar os deuses de outras tarefas,
Para fazer e desfazer,
Amar e salvar,
A Marduk, todo poder e a glória!
MARUKKA é Dois
aquele que bate o martelo de toda criação
para trazer alívio aos deuses em conflito
MARUTUKKU é Três,
gestos de graça em seu nome são feitos por cada mão,
o jovem armado e escudo da terra.
BARASHAKUSHU é Quatro,
aquele que levantou-se na hora da necessidade para selar a terra,
e cujo espírito é indomável e cujo coração é amor.
LUGALDIMMERANKIA é Cinco,
Rei do Cosmo!
Em todo universo Ele é aclamado
pela Grande Companhia que sua ira fez encolher
deus todo poderoso!
NARI é Seis, aquele que tudo Libera,
Ele é nossa consciência, pois quando haviam problemas,
Ele nos trouxe a paz
Deu-nos um porto seguro;
Anunaki, Igigi, das profundezas e das alturas
ao ouvir seu nome tremem em segredo.
ASARULUDU é Sete,
o Grande Mago, título este que vem de Anu,
na hora do perigo, o bom líder dos deuses, pelo duelo mortal que enfrentou para trazer a paz
NAMTILLAKU é Oito,
na sombra da morte ele descobriu a vida,
como se tudo o que tinha sido feito tivesse sido recriado novamente,
conjurado da morte à palavra dele, até o inimigo submeter-se à sua vontade.
NAMRU é Nove, os deuses caminham na fornalha de sua beleza. .
Vozes de tempos passados haviam falado: Lahmu, Lahamu, Anshar haviam falado, cada um deles tendo dito três nomes. Eles disseram então a seus filhos:
- Três nomes ele recebeu de cada um de nós, três nomes ele precisa receber de vocês.
Como fora uma vez no sínodo de Ubshukinna, no local das decisões, os jovens deuses ansiosamente falaram todos juntos:
Ele é o herói, nosso filho, nosso vingador, daremos glória ao nome de nosso defensor!
Eles se sentaram juntos para moldar o destino de Marduk, e todos os deuses cantaram o nome de seu jovem campeão no santuário.
7
O hino continuou:
ASARU cultiva o que foi plantado,
conduz a água através de pequenos canais
para o tempo da semeadura, o tempo do crescimento e da colheita dos grãos.
Ele é ASARUALIM, a quem os deuses com receio e esperança se voltam quando do Conselho.
Ele é a luz, ASARUALIM NUNNA,
luz da glória de seu pai,
Ele é a lei de Anu, de Enlil e Ea,
Ele é compleitude e abundância,
os deuses engordam com seus dons.
Como Tutu ele é a vida que se renova,
que traz doçuras ao santuário, caso a ira uma vez mais tome conta de todos.
Ele a todos ensina a repetir o encantamento que convida ao sono,
Como ele, não tem igual na assembléia.
Como ZIUKKINNA ele vive em cada deus,
ele fez os céus para a felicidade dos deuses,
ele mantém os deuses felizes na imensidade dos céus;
abaixo das nuvens, homens obtusos lembram dele,
Pois ele é ZIKU, o grão da vida,
doce respiração de graça, abundância,
benevolência, indescritível riqueza,
que transforma a fome na fartura;
que respira sua doçura nos quadrantes [em que vivemos].
Falaremos dele, o poderoso, cantaremos a canção de sua glória.
Ele é AGAKU, o amor e a ira,
com palavras vivazes ele apressa a morte,
ele teve pena dos deuses,
ele diminuiu os labores que caíam sobre os adversários.
Para o alívio dos deuses, ele criou a humanidade, suas palavras irão perdurar. Ele é bom, ele tem o poder da vida, seu nome e seu poder está nas bocas dos homens e mulheres de cabelos negros que se lembram dele.
Mas ele também é TUKU,
e todos pronunciam suas anátemas,
que derrotam o mal com palavras misteriosas.
Como SHAZU ele fez o coração, que vê o âmago de tudo,
Ele vê a medula,
nenhum pecador escapa de seu escrutínio.
Ele formou a Assembléia e espalhou sua proteção,
Ele vê a aplicação da justiça, acabando com rebeliões,
Ele termina com a malícia, pois onde ele vai,
o certo e o errado estão separados.
Como aquele que lê o coração, ele também é
ZISI, um nome que fez sair as hordas rebeldes
do coração dos antigos deuses, levados embora por medo paralisante,
para liberar os deuses ancestrais, seus pais.
SUHRIM é [também seu nome] o raio que extinguiu a rebelião,
a mão abjeta treme frente a ele,
seus esquemas previstos, desaparecendo no vento,
Para a alegria, alegria dos deuses!
Ele é SUHGURIM aquele que pode [tudo] destruir,
mas que também na corte aberta ouve todas as causas;
os antigos deuses criaram novos, os inimigos aniquilados, para que para os filhos dos filhos nada deles reste, ou do que fizeram os inimigos. É o nome sagrado do deus, somente e somente este, que responde aos clamores do mundo.
Ele é ZAHRIM, o destruidor!
Iniquidade é morte, ele achou o inimigo quando os deuses fugiram,
ele trouxe os deuses de volta para casa, e todos por seu próprio nome são conhecidos.
Ele é também ZAHGURIM, destruidor-salvador,
título terrível, ante ao qual seu inimigo cái, como se estivesse no campo de batalha.
Ele é ENBILULU, saúde e riqueza dos deuses,
Ele chamou os nomes dos deuses, ele chamou os astronautas, e as hecatombes [à sua voz] desaparecem em chamas,
Ele planejou as pastagens, aprofundou os poços e liberou as águas
Ele é EPADUN, a umidade do céu e da terra que lava os campos,
irrigando as terras aráveis através de barragens e diques para irrigação
Enbilulu é cantado como GUGAL,
nos pomares dos deuses,
ele cuida dos canais, ele enche os galpões com sésamo e grãos em abundância.
E Ele é HEGAL,
acumulando riquezas para todos,
no mundo, ele faz cair a chuva doce, e descer o verde por sobre a terra..
Como SIRSIR ele pegou a carcassa,
Ele levou o Caos [Tiamat] enredado na sua isca,
fazendo erguer sobre ela as montanhas.
Aquele que zela pelo mundo, pastor fiel,
onde seu cenho se ergue,
como [que acirrados por um] choque os cabelos de milho se levantam;
onde o vasto oceano se levanta em ira,
ele faz surgir pontes sobre os locais onde parece haver luta.
Ele é também chamado MALAH, por muitos;
o mar salgado é seu barco, e ele lidera a sua proa.
Ele é a pilha de grãos, cevada e sésamo, que é distribuída para o bem da terra.
Ele é GILMA, o fogo que jamais se apaga, que tempera a eternidade em sua existência, e que por segurança mantém o equilíbrio [da chama] tal qual a corda segurando um barril.
Ele é AGILMA,
que das superfícies que se abrem cria as nuvens por sobre as águas para guardar o firmamento imutável
Ele é ZULUM, aquele que molda o barro,
distribui os acres, a terra para ser arada.
Este é MUMMU, a palavra criativa,
a vida do universo.
Ele é GISHNUMUNAB, a semente, que criou as raças humanas de todos os quadrantes do mundo.
Dos restos da derrota de Tiamat,
dos restos dos deuses,
ele criou a humanidade.
Ele é LUGALABDUBUR
aquele que veio como um rei para enfrentar o Caos,
Caos cujas forças se esvaneceram frente aquele que é firme, e cujas forças são igualmente firmes em todas as direções.
Ele é PAPALGUENNA, Senhor de todos os Senhores,
deus mais sublime, que governa seus irmãos e irmãs.
Ele é LUGALDURMAH, no umbigo do mundo,
onde o céu e a terra são mantidos pela corda,
onde os deuses das alturas se reúnem, sua grandeza é a maior de todos.
Ele é ARANUNNA, o conselheiro, com seu pai EA
sem igual em seus modos soberanos,
ele criou os deuses.
Ele é DUMUDUKU, a montanha brilhante,
Dumuduku, a presença no templo,
o local das decisões, onde nada se decide sem ele [estar presente].
Ele é LUGALLANNA, o forte,
aquele que carrega o firmamento,
sempre presente entre os deuses
mais do que Anshar que o chamou, e o escolheu dentre todos.
Ele é LUGALUGGA, o rei da Morte!
Ele toma conta de todas as crises, na hora mais difícil, com grande intelecto, e mente de longo alcance.
Ele é IRKINGU, pois na fúria da batalha ele espantou o caos,
Ele criou a lei e a lei agora domina a criação.
Ele é KINMA, conselheiro e líder,
seu nome traz terror aos deuses,
o rugido do tornado.
Ele é ESIZKUR, e no alto ele se senta,
na capela das preces, no Grande Festival, quando vêm todos os deuses, são dados presentes, e deveres impostos. Se não fosse por Ele, nada teria sido criado de belo ou sutil. Ele criou os homens e mulheres, ele fez os limites do mundo, e sem ele, os deuses não saberiam os tempos.
Ele é GIBIL, a fornalha na qual o ponto é temperado,
onde são forjados os raios, as armas de guerra contra Tiamat;
os deuses jamais poderão alcançar os limites da mente de Gibil.
Seu nome também é ADDU,
o tempo úmido e a tempestade que vem na hora certa,
o bem-vindo soar do trovão por sobre a terra.
Depois da tempestade as nuvens se abrem ante a palavra de Addu,
e as pessoas na terra diariamente comem seu pão com as bênçãos dele.
ASHARU guia os deuses do Destino;
ele zela por todos os outros deuses.
Como NIBIRU ele projetou as estrelas na sua órbita,
os deuses itinerantes obedecem as leis de passagem.
Nibiru, no centro, parado,
é o deus a quem eles adoram;
e de Nibiru, aquele que é cheio de estrelas, eles dizem:
- Aquele que uma vez cruzou o firmamento sem descansar
Agora é o ponto mais importante do universo,
e todos os deuses mantém seus cursos baseados nele;
Ele reúne os deuses como quem reúne um rebanho,
Ele, o conquistador de Tiamat.
Que a vida dela seja breve e curta, que ela se retire para o futuro
distante da humanidade, até que o tempo envelhece, mantendo-a ausente para todo o sempre
Porque ele moldou a matéria e criou o éter, seu pai deu-lhe o nome de
Bel Matati, deus deste Mundo.
Com seu próprio nome Anu pôs sua marca Marduk quando os deuses do firmamento acabaram o hino.
Agora também Ea, tendo tudo ouvido, regozijou-se:
- Os grandes deuses glorificaram meu filho, Ele é Ea, dotado de nomes do meu próprio nome, ele ira executar minha vontade e dirigir meus rituais.
HANSHA!
Com 50 nomes os deuses o proclamaram
HANSHA!
Com 50 nomes eles chamaram àquele que é o primeiro dentre os primeiros e o que mais de todos se destaca.
Epílogo
Lembrem dos títulos de Marduk!
Governantes irão recitá-los, sábios irão fazer debates a respeito deles, pais os repetirão para os filhos, e mesmo os pastores deles terão conhecimento.
Que todos se alegrem na glória de Marduk, o príncipe dos deuses! Homens e mulheres e a terra irão prosperar, pois forte é seu Domínio, firmes são seus comandos, deus algum pode alterar a vontade de Marduk, e onde os olhos dos grandes deuses se fixarem, somente o bom, o justo e o certo lá Terá lugar.
Deus algum pode suportar sua ira, o intelecto de Marduk é vasto, bem como sua benevolência, mas pecadores e outros desta laia ele irá fazer desaparecer com a sua presença; mas o sábio professor cujas palavras escutamos, e que escreveu tais palavras que ora ouvimos, Marduk o poupou para os tempos vindouros. Que os Igigi construam seu templo, que os deuses falem que esta é a canção de Marduk, que derrotou Tiamat e obteve soberania.
Fonte:
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